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Livros

"O Navio de Ouro"

Século dezenove, costa dos Estados Unidos. No auge da Corrida do Ouro, naufrágio de navio a vapor contendo mais de 3 toneladas do metal precioso causa crise na economia Americana. Um século mais tarde, pesquisadores encontram os destroços e recuperam a preciosa carga.

Por: Mathias Carvalho

Em 1849, milhares de aventureiros, vindos de todos os cantos do mundo, dirigiram-se para Califórnia em busca de riquesas, numa das maiores corridas do ouro da história. Inicialmente, era necessário atravessar todos os Estados Unidos por terra ou circunavegar o Cabo Horn, para se alcançar a costa do Pacífico.

Anos mais tarde, novas rotas surgiram. Uma das quais era seguida pelo SS Central America, de Nova Iorque até o Panamá, e de lá seguia-se por terra até as áreas de mineração na Califórnia, chegando pelo sul do estado. Era uma viagem sofrida e sem garantias de recompensas, mas assim mesmo milhares arriscavam suas vidas pelo ouro.


A última viagem do SS Central America

28 de Outubro, 1852 : operado pela United States Mail Steamship Companyo lendário S.S. Central America é inaugurado. Com o nome original de S.S. George Law, era um navio a vapor de pás laterais de 272 pés e comprimento que realizou 43 viagens de ida e volta entre Nova Iorque e o Panamá. Cada etapa da viagem levava entre 19 e 24 dias para ser completada.

Moeda de ouro encontrada na carga do naufrágio
Entre 1852 e 1857 : o Central America transportava aproximadamente um terço de todo o ouro extraído na Califórnia, durante a famosa "Corrida do Ouro". Este volume de carga estava avaliado, na época, em US$ 100 milhões.

3 de Setembro, 1857 : o Central America zarpa da cidade de Aspinwall (hoje Colón), no Panamá, transportando consigo 476 passageiros, 102 tripulantes e pouco mais de três toneladas em ouro.

A carga incluía aproximadamente 5,200 recém cunhadas moedas de ouro de vinte dólares, chamadas "Double Eagle", produzidas em 1857 em San Francisco. O ouro urtilizado na cunhagem destas peças foi excavado durante a corrida do ouro da Califórnia. Além disto, também estavam sendo transportados lingotes de ouro produzidos por empresas sob controle governamental, tais como Blake & Co.; Kellogg & Humbert; Wass Molitor & Co.; Harris, Marchand & Co.; e Justh & Hunter.

O maior lingote recuperado do naufrágio é uma barra que pesa 933 onças, quase 80 libras ou 30 quilos, produzida pela Kellogg & Humbert, hoje avaliada em US$ 10 milhões.

Pintura retratando os últimos momentos do SS Central America
11 de Setembro, 1857 : no segundo dia da viagem, durante um furacão, o navio começa a fazer água ás 9 horas da manhã. Passageiros foram instruídos a auxiliar os tripulantes na retirada da água. O navio afundou ás 20 horas do dia 12, estando a 160 milhas a leste do cabo Hatteras, Carolina do Norte, tendo se afogado 426 pessoas a bordo, incluindo o seu capitão William Lewis Herndon.

Apenas 49 passageiros do Central America foram resgatados pela barca norueguesa Ellen. Poucos dias depois, mais três homesn foram encontrados a 700 quilômetros do local original da tragédia.

Após a notícia do desastre, impossibilitados de pagar suas contas e saldar seus credores, bancos, lojas e fábricas em Nova Iorque começaram a declarar insolvência, precipitando uma crise econômica que ficou conhecida como "O pânico de 1857." Tudo por causa da carga de um só navio.



130 anos depois

Barras e moedas de ouro - imagens obtidas durante o mergulho com o ROV, batizado de NEMO pela tripulação

1985 : Thomas G. Thompson , um engenheiro naval, trabalhando com o Battelle Memorial Institute em Columbus, Ohio, , fundou o Columbus-America Discovery Group , para localizar o naufrágio do Central America. Os 161 investidores participantes contribuíram com mais de US $10 milhões em fundos.

1986 : o grupo, baseado em Columbus, começou a exploração de 1,400 milhas quadradas no oceano Atlântico (dez vezes a área de busca do Titanic) e localizou, utilizando tecnologia de mergulho de pointa e ROVs (remote operated vehicles) o sino do navio à transmitiu a mais de 2.600 metros de profundidade.

Após a recuperação de artefatos e da preciosa carga do naufrágio, o grupo enfrentou uma década de processos judiciais para adquirir o direito de manter posse dos despojos. Eventualmente, foi decidido que o grupo ficaria com 92 por cento da carga recuperada, enquanto que o resto seria entregue para companhias seguradoras, que haviam, pago os direitos do resgate mais de um século antes.

De toda a carga recuperada, uma parte foi exibida em museus e exposições que percorrem os Estados Unidos, sendo outra vendida para colecionadores e para o público em geral.

Também foram encontrados objetos de época, além de metais preciosos: livros, roupas, porcelanas, e até um charuto completamente preservado - itens que adquiriram um grande valor histórico, pois permitiam a recosntrução do cotidiano de uma época significativa do desenvolvimento do "sonho americano".


Serviço:


Autor: Gary Kinder
Editora: Record
484 páginas
contato: www.livcultura.com.br

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