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Naufrágios famosos

O U.S.S. Monitor

Símbolo de tecnologia de ponta na construção de navios de guerra.

Por: Rodrigo Coluccini
Edição: Mathias Carvalho

O USS Monitor
Um dos fatos mais marcantes da guerra civil americana aconteceu em 1862 em um local chamado Hampton Roads no estado da Virgínia. Este fato foi uma batalha inédita, entre duas embarcações incomuns : o CSS Virginia (Também conhecido por Merrimac) e o USS Monitor.

O CSS Virgínia foi construído a partir do casco do USS Merrimack, uma fragata da União que tinha casco de madeira e propulsão a vapor e que fora capturada. Os Confederados reconstruíram o Merrimack removendo todas as suas partes vulneráveis e cobriram com ferro as partes de madeira que podiam ser penetradas por balas de canhão.

a planta da torre
Neste meio tempo, os americanos que representavam a União ficaram sabendo de sua perda do plano arquitetado pelos Confederados para a remodelação do Merrimack. Com muito receio da ameaça que esta nova embarcação poderia trazer, a União ordenou a construção de seu próprio encouraçado. O contrato foi vencido por John Ericsson, um engenheiro sueco-americano.

O navio que Ericsson desenvolveu tinha cinqüenta e três metros de comprimento e apenas trinta centímetros do casco ficava exposto para fora d água, além da torre, equipada com canhões. O navio foi armado com dois canhões Dahlgren de onze polegadas, colocados lado a lado. Cada um destes canhões pesava mais de sete toneladas.

Além de seu novíssimo design e sua torre com poderosos canhões, Ericsson também utilizou um novo tipo de motor a vapor, mais eficiente. Outra novidade, menos conhecida: os banheiros da embarcação possuíam válvulas de descarga. O nome USS Monitor foi um pedido pessoal de Ericsson. Ele esperava que o Monitor "checasse e controlasse a ameaça confederada".


Batalha de titâs

Em Fevereiro de 1862, o USS Monitor foi enviado para a Virgínia.

O Merrimack foi renomeado CSS Virgínia e, em nove de Março de 1862, a tripulação comemorava o afundamento de mais um navio da União. Já havia algum tempo, os navios da União mantinham um bloqueio marítimo aos Confederados, os quais estavam tentando de tudo para rompê-lo.

Um dos objetivos do CSS Virginia era quebrar este bloqueio e afundar todos os navios da União. E era isto o que estava acontecendo! Um a um, os navios foram atacados e destruídos - a couraça espeça do CSS Virginia impedia danos a sua estrutura, o que tornava ineficazes os esforços em combatê-lo.

Confiante de seu sucesso, o capitão do CSS Virginia deslocou a embarcação pelo Rio Elizabeth até a Baía de Hampton Roads. O objetivo era atacar o maior e mais bem armado navio da União : O USS Minnesota., que se encontrava em sérias dificuldades por ter encalhado em um banco de areia e se tornado um alvo fácil.

Ao se aproximar do USS Minnesota, a tripulação do CSS Virginia teve uma surpresa : aparecendo por detrás do navio encalhado, o USS Monitor se dirigiu a todo o vapor em direção ao seu inimigo confederado.

ilustração da batalha
Uma grande multidão se reuniu em terra para ver o duelo dos dois titãs. Naquele momento, iniciou-se a era dos couraçados!

Quatro longas horas se passaram desde o início do combate. Desde o início, estava claro que a facilidade de manobras do USS Monitor o colocava em vantagemnum dado momento da batalha, uma salva disparada pelo CSS Virginia cegou o comandante do USS Monitor. Por coincidência ou obra do destino, isto fez com que os dois navios se afastassem e cessassem o combate - o USS Monitor, por estar sem seu capitão, e o CSS Virginia por já estar bastante avariado.

Ambas as partes se declararam vitoriosas e nunca mais estes dois navios voltaram a se enfrentar. Os dois lados consideravam muito arriscado um novo confronto, pois a perda de uma arma tão poderosa podia mudar o curso da guerra.

Com o final da guerra civil americana e a vitória da União, os Confederados queimaram o CSS Virginia para que não caísse em mãos inimigas.

Após o grande sucesso do USS Monitor, este tipo de embarcação ficou conhecido como classe Monitor e muitos outros como ele foram construídos. Quanto ao Monitor original, ele continuou realizando bloqueios até Dezembro de 1862, quando foi substituído por uma versão mais moderna.


O fim de um combatente

scan do naufrágio
Devido a sua dificuldade de navegar em águas abertas, o Monitor original foi rebocado até a Carolina do Sul para continuar seu trabalho de defesa costeira. No dia trinta de Dezembro, ao passar pelo Cabo Hatteras, o Monitor e o navio que o rebocava enfrentaram mares tempestuosos. O encouraçado começou a fazer água e não demorou para que as bombas a vapor não conseguissem esgotá-la.

Várias tentativas de estabilizar o Monitor foram feitas sem sucesso, até que foi dada a ordem de abandonar o navio. Na virada da meia-noite, o USS Monitor afundou levando consigo dezesseis tripulantes.

Os destroços do Monitor só foram localizados e identificados em 1973 por uma expedição que envolveu várias organizações. O local fica a dezesseis milhas do Cabo Hatteras, a uma profundidade de setenta e dois metros. O navio está de cabeça para baixo, apoiado em sua famosa torre.

Em 1975 os destroços do USS Monitor se tornaram o primeiro de uma série de santuários marinhos administrados pelo NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).


Começam as expedições

a âncora
Em 1977 o Monitor foi visitado pela primeira vez por mergulhadores científicos e, dois anos, depois o NOAA autorizou uma equipe de Jacques Cousteau a mergulhar no naufrágio. Nenhuma das duas expedições foram produtivas devido a dificuldades técnicas impostas pela profundidade.

Durante os anos oitenta, muitas organizações de pesquisa visitaram o Monitor e uma delas, a Harbour Branch Foundation retirou a âncora do navio, considerada muito importante devido ao seu desenho. Esta âncora foi preservada e encontra-se em exposição no Mariners Museum em Newport News, na Virginia.

Em 1984, um famoso autor e mergulhador de naufrágios americano chamado Gary Gentile entrou com um pedido de autorização para mergulhar no naufrágio e o mesmo foi negado pelo NOAA. A explicação do NOAA para o impedimento foi de que o naufrágio estava muito fundo para ser explorado por mergulhadores recreativos usando ar comprimido.

Não satisfeito, Gary Gentile preencheu onze autorizações e nelas inclui planos de mergulho detalhados, mas mesmo assim não conseguiu convencer o NOAA.

Gary Gentile
Em 1986, a cruzada de Gary Gentile chamou a atenção de Peter Hess, ávido mergulhador de naufrágios e advogado especializado em leis marítimas. Hess decidiu litigar o caso em regime "PRO BONO", assumindo que a ação levaria apenas alguns meses para ser concluída.

Em 1987, o USS Monitor foi classificado como Patrimônio Histórico Nacional. Este ato tinha como objetivo prevenir a deterioração das estruturas do navio, a retirada de componentes e artefatos e a proteção da área contra a ação humana.

Após três anos de espera, Gary Gentile finalmente recebeu a autorização para mergulhar no USS Monitor. O mergulho aconteceu em 1990 e graças a técnicas de mergulho adequadas, tais como o uso de misturas Trimix, o mergulho da equipe de Gary Gentile foi muito produtivo no tocante às filmagens e fotografias realizadas no naufrágio.

o hélice
Um ano depois, Gary Gentile teve, mais uma vez, sua autorização negada. O novo argumento do NOAA era que os fotógrafos da equipe, apesar de serem excelentes, não deram o necessário foco científico às imagens produzidas. Gentile juntou-se novamente com Peter Hess e juntos conseguiram autorização para retornar ao naufrágio. Desta vez, foram realizadas várias medições e coleta de informações científicas sobre o naufrágio.

Centenas de artefatos foram retirados do naufrágio e, recentemente, o eixo e o hélice do navio foram removidos para serem preservados, e serão expostos em um museu onde todos poderão contemplar estes objetos. Atualmente, estuda-se a possibilidade de erguer outros itens do navio.

Devido ao grande sucesso obtido pelos Monitores na época, outros países também acrescentaram às suas frotas este tipo de embarcação. O Brasil também teve seus Monitores e um deles, o Monitor encouraçado Alagoas foi afundado ao largo do Rio de Janeiro. Caso este naufrágio não esteja na área de exclusão da Marinha, seria um excelente ponto novo de mergulho para os brasileiros


Serviço:


A expedição
www.monitor.nos.noaa.gov
oceanexplorer.noaa.gov/explorations/02monitor/monitor.html

Tour virtual do naufrágio
monitor.nos.noaa.gov/wreck_tour/wreck_tour.html

Gary Gentile
www.ggentile.com/monitor.html

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