Técnicas
e equipamentos
O
preço da guerra
Naufrágios
da segunda guerra liberam combustível.
Por:
Paulo
Gorab
Edição:
Mathias
Carvalho
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| O
USS Mississinewa em manobras |
Oceano
Pacífico. Local de atóis e ilhas que todo mergulhador sonha
em conhecer. Vanuatu, Fiji, Salomão e muitas outras, onde naufrágios
históricos nos aguardam, envoltos por mistérios e água maravilhosamente
azul. Pois essa combinação de sonho está para se tornar pesadelo
para os mergulhadores e principalmente para o mar da região.
Estima-se que na época da Segunda Guerra, milhares de navios
militares e civis afundaram nessas águas. Hoje já são 3,8 mil
catalogados. Passados 50 anos aproximadamente, a corrosão ameaça
os cascos dos naufrágios. O problema é que todos esses navios
afundaram com cargas enormes de combustíveis, que agora, ameaça
tingir de negro as águas azul-turquesa do Pacífico.
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Kaiten Kamikase |
Um
exemplo é o USS Mississinewa, navio tanque da marinha americana,
que foi afundado por um ataque suicida de um mini submarino
japonês, perto da ilha Yap. O naufrágio só foi descoberto em
2001 por mergulhadores.
No mesmo ano, um tufão atingiu a região e liberou 91 mil litros
de óleo. Uma equipe da marinha americana ainda interrompeu mais
dois vazamentos e retirou 6,8 milhões de litros restantes (apenas
5% do total estimado), ao custo de US$ 4 milhões.
Diante dessas ameaças e dos valores envolvidos, surge a pergunta
inevitável: e quanto aos outros milhares de navios, quem vai
pagar a conta?
Operação limpeza
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| A
pique; bomba-relógio |
A
marinha americana aplicou ao Mississinewa - a grande custo -
algumas técnicas de limpeza corretivas, como o fechamento de
rachaduras com selos de concreto e outras preventivas, como
o bombeamento do óleo ainda armazenado no naufrágio. Mas elas
não se aplicam a todos os casos, onde variáveis como profundidade,
condição de conservação, tipo de poluente (óleo, combustível),
natureza e localização de cada naufrágio - entre outras - tornam
uma operação desta magnitude simplesmente inviável, logística
e financeiramente. Ainda, a conseqüente logística de processamento
do poluente deve ser considerada numa operação desse porte -
os milhões de litros de óleo recuperados desta área imensa e
remota do Pacífico, devem ser descartados com segurança e de
maneira não poluente.
Outra
questão adicional, que foge ao campo tecnológico: muitos destes
naufrágios são considerados cemitérios de combatentes, e a opinião
pública - de vários países - é bastante reticente quando o assunto
é remover velhas lembranças e abrir antigas feridas, mesmo que
haja um custo ecológico demasiado caro.
Considerando os altos custos desse tipo de operação, avalia-se
ainda a viabilidade comercial para reciclagem ou revenda do
material recuperado - algo que atrairia potenciais investidores
particulares. A questão é sempre uma grande incógnita, pois
é extremamente difícil avaliar a qualidade, e portanto o valor,
do combustível afundado, após tanto tempo submerso.
Segundo especialistas, é apenas uma questão de tempo até que
outros destroços, conhecidos e desconhecidos comecem a vazar
e a questão literalmente volte à tona .
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