Naufrágios
famosos
O
naufrágio do Princesa Mafalda
Navio
de imigrantes europeus naufraga na costa do Nordeste - mais
de 300 mortos.
Por:
Zilan
Costa e Silva
Edição:
Mathias
Carvalho
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O paquete Princesa Mafalda |
Uma
das principais histórias de naufrágios marítimos,
tema de uma exposição no Memorial do Imigrante,
em São Paulo (leia a matéria),
o Princesa Mafalda naufragou na costa da Bahia, com imigrantes
vindos da Europa.
O PRINCIPESSA MAFALDA foi construído em 1908 pelo estaleiro
Società Esercizio Bacini em Riva Trigoso, Itália.
O paquete tinha cerca de 148 metros de comprimento, 17 metros
de boca, 10 metros de calado e um deslocamento de 12000 toneladas.
Possuía 158 camarotes de primeira classe, 835 camarotes
de segunda classe e 715 camarotes de terceira classe. Seu nome
foi dado em homenagem a filha do Rei Vittorio Emanuele III,
Mafalda di Savoia, nascida em 1902.
Sua viagem inaugural foi em 30 de Março de 1909, fazendo
a linha Gênova - Buenos Aires. Pertencia ao Lloyd Italiano
Società di Navigazione, tendo sido incorporado à
Navigazione Generale Italiana em 1918. Em 1910 foi usado por
Marconi para uma das primeiras transmissões de radiotelégrafo
entre a Europa e a América do Sul, utilizando como antena
uma grande pipa.
Em sua última viagem partiu de Gênova a 11 de Outubro
de 1927 transportando mais de 1261 passageiros. Pouco depois
de ter saído de Barcelona (Espanha) onde havia feito
uma escala, teve problemas mecânicos e o comandante Simone
Guli se viu obrigado a fazer uma escala em São Vicente,
nas Ilhas Cabo Verde. Após ter sido reparado o navio
continuou a viagem.
No dia 25 de Outubro de 1927 por volta das 17:20 horas, nas
proximidades de Abrolhos/BA, o navio parou pois o eixo da hélice
havia se partido. A água começou a inundar os
compartimentos do navio e foi emitido pedido de socorro informando
a posição do navio : 16 graus e 58 minutos S,
31 graus e 51 W. Os navios EMPIRE STAR, ROSSETI, FORMOSE, ALHENA,
AVELONA, MOSELLA, SALEM, KING FREDERIC e PIAUHY partiram em
seu socorro.
Existem algumas versões sobre o procedimento tomado pelo
comandante do PRINCIPESSA MAFALDA. O que existe em comum entre
elas, é que ao ordenar o abandono do navio houve um grande
tumulto entre os passageiros. Alguns botes salva-vidas estavam
muito lotados e viraram. Passageiros desesperados se atiravam
nos botes que estavam ao mar e também na água.
Por volta das 17:50 horas chega o navio ALHENA para ajudar no
resgate e 10 minutos mais tarde chega o EMPIRE STAR. O resgate
dos náufragos começa, mas para piorar a situação
alguns que ainda permaneciam na água são atacados
por tubarões. A situação à bordo
do PRINCIPESSA MAFALDA vai se tornando crítica, com os
passageiros se aglomerando na proa, pois a popa está
praticamente submersa.
Por volta das 21:00 horas, chegam para ajudar no resgate os
navios FORMOSE, MOSELLA e AVELONA.
O PRINCIPESSA MAFALDA afunda por volta das 21:45 horas. Instantes
depois, chegam os navios KING FREDERIC e ROSSETI para ajudarem
no resgate. Morreram cerca de 9 tripulantes, entre eles o comandante
Guli e 305 passageiros. O naufrágio do PRINCIPESSA MAFALDA
ainda não foi localizado. Acredita-se que ele esteja
na região entre Caravelas/BA e Abrolhos/BA. No local,
estima-se uma profundidade de 1400 metros.
Principais fatos sobre o naufrágio:
O
número de passageiros que o PRINCIPESSA MAFALDA transportava
era mais de 1350.
Em 1910, foram realizadas experiências de radiotelegrafia
no navio onde de dia as transmissões alcançaram
4000 milhas e à noite 6735 milhas.
A empresa proprietária do navio era Navigazione Generale
Italiana Società Riunite Florio & Rubattino.
O local onde parou para consertar as avarias era Dakar (África)
e não nas Ilhas Cabo Verde.
A posição registrada para resgate era 16 graus
58 minutos S, 37 graus e 51 minutos W.
Quando o eixo da hélice quebrou e o navio parou, o comandante
e seus oficiais tranqüilizaram os passageiros, fazendo
com que estes últimos voltassem às suas atividade
normais. Somente quando o navio adernou é que foi dada
a ordem de abandonar o navio.
O nome do estaleiro que construiu o navio era Eserazio Barini.
Texto publicado
com o consentimento do autor |
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