| Participe da lista de discussão | Recomende-nos para seus amigos | Receba a newsletter | Sobre o W.E.T. | Voltar para o Arquivo |
Naufrágios famosos

O Wilhelm Gustloff

Este naufrágio superou o Titanic em número de vitimas, é considerado o maior desastre marítimo da história e ainda esconde um segredo: Estaria a bordo uma incrível sala toda decorada em Âmbar e avaliada em 300 milhões de dólares?

Por: Rodrigo Coluccini
Edição: Mathias Carvalho

Deque do naufrágio - boa conservação
Sem dúvida, mergulhar em um transatlântico é um dos maiores prêmios para um mergulhador de naufrágio. Pude sentir essa emoção quando visitei um navio desses em Janeiro desse ano. Durante uma excelente semana de mergulhos em Recife, a capital do mergulho em naufrágios no Brasil, fui convidado pelo Edísio, da operadora Aquáticos, a ir até um pequeno vilarejo de pescadores chamado "Lagoa Azeda", distante cerca de 60 km de Maceió. Essa localidade é o ponto mais próximo do local de descanso do Itapagé, um navio de passageiros torpedeado pelos alemães durante a segunda guerra mundial. Devido a sua natureza, esses navios são majestosos e os mergulhadores de naufrágios encontram ali, o ambiente perfeito para a prática dessa atividade tão apaixonante.

Outros navios de passageiros estão afundados no litoral brasileiro. Alguns já foram localizados e são mergulhados, como o "Príncipe de Astúrias" em Ilhabela. Outros, como o "Príncipessa Mafalda" (edição do WET, Julho de 2003), naufragado na região de Abrolhos ainda não revelaram sua localização .

O Gustloff em manobras
Por todos os mares e oceanos do mundo, vários navios de passageiros, também conhecidos como "Liners", foram a pique, mexendo com a imaginação das pessoas e sendo usados como pano de fundo para produções cinematográficas. Para incrementar essas estórias que são levadas ao público em todas as partes do mundo, são criados fatos fictícios e romances; mas um aspecto é real : suas vítimas.

Milhares de pessoas morreram em desastres no mar e, muito provavelmente devido ao filme, o Titanic é tratado como o maior desastre marítimo do mundo, com 1.500 mortos. Infelizmente, esse não é o maior desastre marítimo do mundo. Esse terrível título pertence ao Wilhelm Gustloff , um navio alemão torpedeado por um submarino russo em 1945. Essa agressão cruel provocou a morte de mais de 6.000 pessoas!


Desastre em alto mar

Salão - luxo e requinte
Era trinta de Janeiro de 1945 e o Wilhelm Gustloff iniciou mais uma viagem pelo Mar Báltico, com destino às cidades de Kiel e Flensburg, localizadas no que na época referia-se como Alemanha do Ocidente (não confundir com o que viria a ser conhecida como Alemanha Ocidental, da época da Guerra Fria). A bordo , mais de 6.000 pessoas excediam a capacidade do navio. A maioria era composta por mulheres e crianças, idosos e cerca de 1.200 soldados feridos. Alguns historiadores afirmam que havia muito mais pessoas, a maioria clandestinos.

Esse imponente navio , que tinha seu nome escrito em seus bordos em letras góticas, possuía uma excelente equipagem mas, devido a estar servindo como navio hospital já a alguns anos, ele se encontrava em mal estado de conservação. Seus potentes motores, que eram capazes de impulsionar o navio a velocidades acima dos que a que os submarinos da época podiam atingir, agora só atingiam 12 nós, transformando-o em um alvo fácil para os "lobos dos mares".

Ao zarpar, o Gustloff foi escoltado pelo torpedeiros "Lowe" e "TF-1".

Passageiros do transatlântico em 1938
O capitão do Wilhelm Gustloff foi responsabilizado pelo afundamento devido a duas decisões tomadas por ele: a primeira de utilizar a rota 58, que era um curso mais ao Norte e em águas mais profundas, que permitia a ação de submarinos. A outra decisão foi a de iluminar o navio totalmente, tornando - o um alvo de fácil visualização.

Enquanto as horas se passavam, o mau tempo - que era um aliado do Gustloff - foi se esvaindo e dando lugar à condições melhores. Como se isso não bastasse, um dos navios da escolta, o TF-1, precisou retornar ao porto para reparos. Esses eventos delineavam, a cada momento, a mão do destino indo de encontro ao Majestoso navio e não demorou muito para que alertas de "submarinos na área" ecoassem em toda a área do Sul do Mar Báltico.

Após o armistício, os Russos conseguiram importantes bases na Finlândia e foi de uma dessas bases, localizada na península de Hango, que o submarino russo S-13 navegou em 11 de Janeiro sob o comando do capitão Alexander Marinesco.

O Gustloff atracado - gigante do mar
Dezenove dias se passaram até que, no final de mais um dia improdutivo, o oficial de serviço foi até a ponte e, a medida que a neblina local se dissipava, ele observou ao longe um enorme navio com todas as luzes acessas. Sem hesitar, chamou o capitão à ponte e poucos segundos se passaram até que o Capt. Marinesco desse ordens que trariam o S-13 à vida : "Postos de Combate , leme todo a direita, curso 2-3-0, máquinas força total avante!".

Em alguns minutos, o submarino se aproximou do Gustloff e, quando estava a cerca de 1.000 metros de distância do navio , ordenou o disparo de três torpedos que atingiram em cheio o casco, provocando confusão e desespero a bordo. Na ponte , o capitão sabia que três explosões seguidas como aquelas só poderiam significar uma coisa: torpedos! Um pedido de S.O.S. foi emitido (Save our Souls).

Uma confusão geral se instalou no navio, com as milhares pessoas a bordo tentando entrar nos botes salva vidas. Alguns destes botes viraram, ainda presos nos turcos, e arremessaram as pessoas na águas geladas do Báltico. Naquela situação desesperadora, o frio, stress e cansaço logo minaram as forças das pessoas que tentavam se salvar e, uma a uma, foram se deixando levar pelo terrível destino que as aguardava.

Planta dos deques
O navio escolta "Lowe" aproximou-se rapidamente do navio agonizante e recolheu o máximo de pessoas que podia, até que seus próprios tripulantes se esgotaram com o esforço que faziam.

Um outro navio alemão, o Admiral Hipper, vinha em uma rota próxima , navegando a 32 nós. A bordo, trazia cerca de 1.500 refugiados. Ao se aproximar do Wilhelm Gustloff, ele chegou a conclusão que uma tentativa de resgate seria muito difícil, pois o navio já adernara 30º. Enquanto pensava no que iria fazer para ajudar, o vigia do Hipper viu um, depois outro torpedo, indo em direção do navio - seu capitão decidiu abandonar a área, causando mais tarde repulsa entre seus contemporâneos.

Abandonados à própria sorte e agora frente a frente com o destino, o Wilhelm Gustloff foi ao fundo levando consigo cerca de 6.000 vítimas. Hoje, o local do naufrágio é conhecido nas cartas náuticas polonesas como "Obstáculo nº 73".

Apesar de ser considerado um "túmulo de guerra" pelo governo Polonês e o mergulho no local ser restrito - praticamente proibido - desde seu afundamento o Wilhelm Gustloff vem sofrendo ações de demolição.

Esse trabalho de pilhagem parece ter começado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial e a principal evidência desta ação está na ausência dos hélices do navio, que foram provavelmente retirados pelos russos que procuravam por outras coisas de valor além do bronze que compõe a grande parte dos itens de equipagens de navios.


Tesouro à bordo?

Ilustração do naufrágio
Em 1709, Frederico I, imperador da Prússia, construiu uma magnífica sala decorada com 55 metros quadrados de Âmbar. Este belíssimo aposento, considerado uma obra de arte, foi pilhado quando os Nazistas invadiram Leningrado em 1941. Alguns dizem que a sala de Âmbar foi escondida em alguma mina na Alemanha, outros afirmam que ela estava a bordo do Wilhelm Gustloff.

No primeiro semestre de 2003, uma equipe de mergulhadores técnicos britânicos montaram uma expedição para visitar os destroços deste magnífico navio.

Após serem recebidos com muita cautela e desconfiança pelas autoridades Polonesas, os mergulhadores se locomoveram para a cidade de Leba, ponto de partida da expedição que fica a 24 milhas de distância do ponto de mergulho.

Localização - "obstáculo No 37"
A uma profundidade de 45 metros , em uma água de temperatura de 3º C, os britânicos iniciaram o mergulho e puderam comprovar a beleza do naufrágio! A visibilidade era cerca de 30 metros e havia luz suficiente para filmagens e fotografia. A água fria do Báltico preservou bem o madeirame do navio e outras peças que estariam em avançado estado de conservação, se estivessem em outro local.

Os membros da equipe esperavam ver um grande número de restos humanos, mas nenhum foi visto. Provavelmente, dentro das estruturas do navio, devem estar esta triste lembrança da terrível noite de Janeiro que vitimou tantas almas. Nessa expedição de caráter estritamente fotográfico, foi decidido que não haveria penetrações nem uma busca pela sala de Âmbar.

Sem dúvida, o Wilhelm Gustloff é um incrível destino para mergulhadores de naufrágios, assim como o Andréa Doria, o Britannic, o Lusitânia e muitos outros. No Brasil , também temos nossos "Reis dos Mares", e vale a pena conhecer cada um deles.


Serviço:


Mais informações sobre o Gustloff (em alemão e inglês):
www.feldgrau.com
www.britannic.de
www.militaryhistoryonline.com
www.mboring.com
college.hmco.com

Livros sobre o naufrágio (em inglês):
www.bn.com
www.amazon.com


imprimir esta página