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Técnicas e equipamentos

Provedor de O2 - o "plus " que deveria ser um "must"

Não somente quem mergulha em naufrágios, mas todo mergulhador consciente, deveria saber como agir em caso de emergências envolvendo descompressão.

Por: Paulo Gorab e Mathias Carvalho
Edição: Mathias Carvalho

Thiago Aricó (esq.), nosso instrutor, apresentando o equipamento do Kit DAN
Clima de Boat Show (lembram-se do Boat Show?), tudo é festa, tudo é novidade, gente bonita, encontro com personalidades do mercado de mergulho, lindíssimas embarcações. Mergulhadores de naufrágio e demais especialidades todos se encontraram para trocar informações, contar mentiras, conhecer as novidades do mercado, fazer contatos e contar mais mentiras. Tudo muito legal.

Dentre os monstros [marinhos] sagrados que compareceram em peso, a DAN, como não poderia deixar de ser, estava bastante presente com um papel tido por muitos como inglório, embora extremamente necessário: alertar para os perigos do mergulho e como melhor se prevenir. Isso, em clima de festa, poderia ser um banho de água fria sem neoprene. Mas não é. Considero isso um alívio para medos que existem na cabeça de qualquer mergulhador com meio neurônio - os que não têm nem isso, não precisam mesmo se preocupar...

Pessoalmente, eu considero o trabalho da DAN no Brasil extremamente importante, ainda mais num mercado como o nosso; deficiente de infra-estrutura e conhecimento sobre segurança do mergulho. Isso apesar de termos - infelizmente poucos e, felizmente muito bons - profissionais do ramo na ativa.

Com essa mentalidade, decidi descobrir, em primeira mão, como é fazer um curso da DAN. No caso, durante o evento, estava sendo oferecido um curso de "Provedor de Oxigênio", certificação que qualifica qualquer indivíduo (não precisa ser necessariamente mergulhador) a oferecer oxigênio medicinal a um mergulhador que precise deste tipo de atendimento.

Boneca de treinamento de ressucitação ; tem que dar beijinho, beijinho, senão é tchau, tchau ...
Achei a idéia interessante. Caramba, se hoje em dia não se contesta muito as vantagens de um computador de mergulho como forma de prevenir acidentes descompressivos - a um custo considerável, o que não impede muitos de optarem por este investimento, então, porque não investir num curso deste tipo? Na eventualidade de um acidente envolvendo "mal descompressivo", saber ministrar este tratamento até que se chegue a um médico hiperbárico pode significar a diferença entre entrar no hospital carregado ou andando.

Fiz minha inscrição e, numa cinzenta e chuvosa manhã de sexta-feira, já estava no auditório conversando com o Thiago Aricó, o instrutor que estaria ministrando o curso. (o que eu não faço pelos meus leitores?)

Thiago me contou um pouco sobre como seria o curso: não era nada muito difícil, boa parte dele consiste na prática da teoria de primeiros socorros em diversos cenários, uns mais complicados do que outros. O aluno aprende sobre as vantagens, propriedades e questões de segurança envolvendo o uso do oxigênio puro medicinal para mergulhadores acidentados.


Pré-requisitos para o Curso de Provedor de Oxigênio DAN

Apostila, certificado e máscara - tudo incluso no preço do curso
A idade mínima recomendada para participar neste curso é de 12 anos. O Depto. de Treinamento DAN sugere que aqueles com a certificação de mergulhador júnior participem deste curso tendo como um parceiro um adulto responsável.

Um treinamento em ressuscitação cardiopulmonar (RCP) é recomendado. Os participantes devem realizar todas as habilidades contidas no curso de Provedor de Oxigênio DAN para receber o certificado de conclusão com sucesso do curso.

Horas Mínimas de Treinamento Recomendadas:
- desenvolvimento de conhecimentos (teoria) = 1
- desenvolvimento de habilidades (prática) = 3

O mais importante está em se conhecer todos os aspectos relativos aos "males descompressivos" - classificação da DAN que envolve tanto barotraumas como D.D. (doença descompressiva), visto que os sintomas e sinais são muito parecidos, e os tratamentos de primeiro socorros similares.

Durante o curso, o aluno aprende sobre os efeitos dos gases sob pressão no organismos, os cuidados e prevenções adequadas, os benefícios do uso de O2 no tratamento de acidentes desta natureza, noções sobre os sistemas cardiovascular e respiratório, e mais um monte de informações extremam,ente cabíveis para mergulhadores de todos os níveis.


Treinamento nota 10

Alunos do curso preparando o equipamento
Pra quem acha que fazer este tipo de curso é uam atividade estressante e complicada, está redondamente enganado. Eu não me considero, particularmente, um gênio, e consegui acompanhar o conteúdo do curso muito bem, e a parte prática foi até muito divertida, principalmente quando eu, no papel de uma vítima de doença descompressiva, fui requisitado a simular ataques de vômito - uma preocupação, por razões óbvias, ao se ministrar oxigênio.

Fico feliz em relatar que tudo correu bem, podem respirar com calma ... (o que eu não faço, repito, pelos meus leitores?)

Mas, brincadeiras a parte, o curso correu com muita qualidade, bem administrado bem completo (utilizamos kits de O2, boneca de exercícios, audio visual, apostilas, etc.) e eu, posso afirmar, entendo melhor agora por que é extremamente importante ter este recurso disponível em qualquer operação de mergulho, seja na Laje de Santos, seja em Noronha, seja onde for.

E isto tudo levantou uma outra questão: é essa a nossa realidade? Temos estes recursos a disposição em todas as operações de mergulho no mercado? Nem preciso dizer a resposta...


Adaptar para sobreviver

Adaptador autorizado pela DAN - custos mais baixos
Agora, convenhamos; não é um investimento barato ... um kit completo DAN Rescue Pak Extended Care with MTV-100 sai, na internet, pela bagatela de US$ 745*. Um kit sem o cilindro DAN Mini Oxygen Unit sai por US$ 400.

Para quem não tem este equipamento à bordo, e já está pensando em se justificar pelo preço (em dólar) alto, para nossos padões brazucas, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Foi pensando nisso mesmo que foi desenvolvido um adaptador para ser utilizado com cilindros nacionais de oxigênio, o que torna o custo bem mais viável, e um cilindro de grande porte (o necessário para uma viagem como a da Laje de Santos, por exemplo) muito mais acessível.

Quanto vale a vida de uma pessoa? O investimento num kit como estes se paga com o tempo e, no caso de um acidente, o proprietário da embarcação vai acabar achando que o custo foi mesmo uma bagatela.

*Valores verificados na data desta publicação


Realidade brazuca

Há alguns números atrás, publicamos uma matéria chamada Resgate no Cedarville, que narrava um acidente de mergulho nos Estados Unidos. Num determinado momento, já no final feliz da aventura, dois mergulhadores, após resgatados, são trazidos rumo à superfície. No caminho, fazem uma parada de segurança acima dos seis metros e recebem oxigênio puro, para amenizar os efeitos de uma possível doença descompressiva. Saindo da água, ainda no barco e durante todo o caminho de volta ao continente, recebem O2 como primeiro e principal cuidado e ainda assim acabam numa câmara hiperbárica. A história, como mencionado, teve final feliz. E se fosse no Brasil?

A pergunta é cabível, já que nunca se falou tanto em segurança do mergulho. O número de praticantes que têm feito seguro específico para acidentes de mergulho tem crescido nos últimos dois anos, e os cursos de primeiros socorros com oxigênio se tornam cada vez mais populares e fizeram até parte do último São Paulo Boat Show, em outubro. No entanto é sabido que poucos barcos que operam com mergulho no Brasil têm oxigênio a bordo. Este cenário vem mudando rapidamente: "Na nossa Operadora sempre temos Oxigênio a bordo e o nosso staff é treinado em O2 Provider", atesta Tania de Barros Corrêa, instrutora da Underwater, de Salvador, Bahia.

Só a presença de equipamento e cilindros de O2 não resolve uma situação de emergência. É necessário ter equipamento adequado para a correta aplicação do oxigênio, além de pessoal especializado. Ressalta-se aí a importância de cursos como o Oxigen Provider da DAN, ou equivalentes. "A maioria das embarcações que utilizo e se consideram operadoras de mergulho não possuem oxigênio e se possuem às vezes estão vazias ou não possuem mascaras adequadas. Por este motivo levamos nosso equipamento em todas as nossa saídas", conta Mauricio Andrade, da Explorer Dive center, de São Paulo. E dá a dica: "O interessante é que realmente os alunos e mergulhadores nem se preocupam com isso na hora de escolher uma embarcação ou escola". Mais uma vez, deve ser os mergulhadores os responsáveis pela mudança de cenário, ao exigir das operadoras e escolas mais cuidados com sua segurança. Nos barcos de mergulho, sem dúvida alguma, ter esses equipamentos a bordo e pessoal treinado pode ser um importante diferencial em relação aos concorrentes.


Em sintonia com o mercado

Algumas operadoras já acordaram para essa realidade e cada vez mais sentem a exigência dos mergulhadores por uma estrutura mais profissional. João Paulo Scola, - conhecido como "JP", proprietário do Atmosfera I, e Armando de Luca, da Nautilus, ambos operando na Laje de Santos, ponto remoto no litoral de São Paulo, levantam alguns itens importantes quando se fala de oxigênio a bordo.


Quantidade de O2 X distância dos pontos de mergulho

Tanto JP como Armando ressaltam que a primeira providência é ter uma quantidade de O2 no barco suficiente para durar a viagem inteira de volta ao continente, o que pode acontecer em até mais de duas horas, dependendo do ponto de mergulho e das condições de mar. JP conta que opera com mergulhadores recreacionais e técnicos em pontos de mergulho distantes até 55 milhas da costa e mergulhos a profundidades que chegam a 75 metros. Assim, considera fato essencial atenção na quantidade do suprimento de O2. Armando observa que normalmente as emergências ocorrem com uma dupla, daí a importância de se pensar em equipamento para atender dois mergulhadores simultaneamente.


Exigência do público

Para ambos o trabalho de educação já está surtindo efeitos. Armando estima que 5% dos seus clientes tem algum treinamento de primeiros socorros com O2, e espera que esse número cresça: "a DAN está firmando seu trabalho no Brasil e creio que o rumo será o de aumentar gradativamente o número de mergulhadores certificados na modalidade".

Já JP ressalta o profissionalismo que o mercado espera de uma operadora: "Temos o dever de oferecer segurança as pessoas que depositam no operador toda sua confiança, pois elas estão contratando um operador de mergulho e não um lancheiro que para minimizar seu custo de manutenção e marina, começa "levar" pessoas para mergulhar".


Custos

Armando e JP são categóricos: o investimento vale a pena e com um pouco de criatividade, pode ter inclusive valores acessíveis. "Porém quando se trata de oxigênio não devemos confundir criatividade com gambiarra. Todo equipamento de oxigênio lá instalado foi adquirido em uma empresa que atende o ramo de hospitais, a Oxigel", explica JP, em relação a seu barco. Armando conta que seu equipamento segue os padrões da DAN e avalia como positivo o custo-benefício: "O valor do investimento torna-se irrisório se levarmos em consideração que pode salvar uma vida. Não investir nesses itens é no mínimo uma falta de compromisso com a atividade, que sempre deve ser praticada de forma segura".


Treinamento

A máxima de que não adianta muito equipamento, se ninguém sabe operá-lo nunca foi tão válida. Armando conta que sempre há instrutores e mergulhadores que sabem administrar O2 na sua operação, e incentiva: "O curso é rápido, não custa caro e ter o conhecimento é sempre recomendável." Já JP ressalta que ele tem treinamento DAN e sempre está presente na embarcação.

Serviço:


Saiba mais sobre o curso e equipamentos DAN:
www.diversalertnetwork.org
www.sailinganddiving.com.br

Cilindros e adaptadores no Brasil:
www.whitemartins.com.br
www.aventuraesportiva.com.br
www.scubatec.com.br

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