Filmes
"Lata
de Sardinhas"
Conheça
o filme de submarino mais clautrofóbico já realizado
- já dá um gostinho para quem sonha em mergulhar
num U-Boat alemão.
Por:
Sérgio
Carvalho
Edição:
Mathias
Carvalho
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Poster do filme |
Imagine
um ambiente claustrofóbico, onde 44 homens devem sobreviver
aos horrores da guerra no mar, em uma embarcação
chamada de "caixão de aço" pelos próprios
marinheiros.
Agora, coloque-se no lugar dos homens que viviam em um submarino
há 60 anos, com cargas de profundidade explodindo próximo
de seu navio e que a qualquer momento poderiam romper o casco
e matar à todos em poucos minutos.
Este é o enredo do clássico filme de guerra "Das
Boot".
O filme "Das Boot", chamado no Brasil de "O Barco
- Inferno no Mar", foi baseado na obra homônima de
Lothar-Günther Buchheim, correspondente de guerra na Alemanha
durante a Segunda Guerra, que esteve à bordo de dois
submarinos alemães, chamados de U-Boats pelos Aliados
e depois escreveu o livro, baseado em suas próprias experiências
à bordo dos navios.
Contudo, seu destaque maior foi durante uma patrulha à
bordo do U-96, onde o repórter e fotógrafo pôde
conviver mais com a tripulação e que lhe rendeu
um belo livro de memórias e fotos, chamado "U-Boot-Krieg",
onde conta fatos da guerra e ações das quais participou,
sem o tom romanceado do "Das Boot".
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Cenário claustrofóbico |
No
"Das Boot", Lothar-Günther Buchheim escreve sobre
uma patrulha típica de um U-Boat, descrevendo a vida
à bordo, colocando personagens baseados em fatos e pessoas
reais, mas também com doses de humor e drama.
Seu trabalho, considerado um clássico dentro da literatura
militar, apesar de ser catalogado na categoria de romance, inspirou
o diretor alemão Wolfgang Petersen a filmar a epopéia
submarina em 1981, não por patriotismo, mas por causa
do tom dramático que o livro mostrou, assim como o desafio
de se filmar em um ambiente totalmente fechado. Por causa de
seu trabalho com o "Das Boot", o diretor ganhou 6
prêmios da Academia de Cinema Norte-americana.
O
filme tem duas versões, uma com 128 minutos de duração,
que foi a aprovada comercialmente pelo Estúdios Bavária,
responsável pelas filmagens, e a versão em DVD
do diretor Wolfgang Petersen, com 136 minutos e lançada
em 1997, que conseguiu recuperar negativos perdidos do filme
e a trilha sonora original composta pelo maestro Klaus Doldinger.
Essa quase 1 hora à mais de filmagens, empresta mais
drama ao filme, pois praticamente "estica" as cenas
principais e dá um maior entendimento sobre o cotidiano
à bordo.
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Estresse total |
A
produção e filmagem do "Das Boot" foi
bastante meticulosa, à ponto de terem construído
uma embarcação que navegava de verdade para as
filmagens, fora os modelos em escala. Essa embarcação
possuía toda a parte superior igual a um U-Boat, além
de terem feito duas torres de comando em tamanho natural. Ainda
hoje, o Estúdios Bavária possuem um museu, onde
pode-se ver algumas partes dos cenários usados nas filmagens.
O
trabalho do diretor Wolfgang Petersen, ao filmar dentro de uma
reprodução das partes internas de um submarino,
dispensando a luz natural e com as tomadas difíceis num
espaço tão pequeno, até hoje serve de exemplo
para outros cineastas, a ponto da diretora do filme "K-19
- The Widomaker", Kathryn Bigelow, com atuação
do astro Harrison Ford, usar o mesmo sistema para dar mais realismo
e dramaticidade ao filme.
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Vida e morte submarina |
Mas
em se tratando das estrelas do filme "Das Boot", para
nós brasileiros há uma grata surpresa em ver a
ex-chacrete Rita Cadillac atuando no papel de cantora de cabaré
na França ocupada, logo no início do filme, onde
quase não se reconhece a bailarina tentando se firmar
em uma pretensa carreira internacional no cinema.
Para os que ainda sonham em mergulhar num U-Boat afundado, é
importante lembrar como é difícil a penetração nestas embarcações
(leia também nossa matéria "Alemão
perdido em Floripa").
E quem já teve esta oportunidade, sabe disso por experiência
própria (lembrem-se do livro "O
Último Mergulho"). Mas, ao assistir este filme, pode-se
entender melhor de onde vem esta sensação claustrofóbica.
O U-96
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Cap. Heinrich Lehmann-Willenbrock |
Para
os aficionados em história militar ou que gostam de saber
detalhes sobre filmes de guerra, o U-96 também é
um prato cheio em termos de informação.
O U-96 era um submarino Tipo VII-C, de médio alcance
operacional, dotado de 4 tubos lança-torpedos na proa
e 1 na popa, um canhão antiaéreo de 37cm montado
numa plataforma atrás da torre de comando e um canhão
de 88cm no convés à frente da torre.
Com tripulação média de 44 homens, podia
levar até 14 torpedos e tinha aproximadamente 67 metros
de comprimento, por 6,20 de largura.
Podia navegar à 17,7 nós na superfície,
impulsionado por 2 motores à diesel ou 7,6 submerso com
motores elétricos alimentados por baterias. Construído
pelo estaleiro Germania Werft, na cidade de Kiel, foi lançado
ao mar em 01/08/1940 e podia submergir com segurança
a até 220 metros, apesar de que alguns comandantes chegaram
aos 250m e conseguiram voltar á superfície para
contar.
Os Tipos VII eram considerados os tipos-padrão da arma
submarina alemã durante a Segunda Guerra, sendo construídos
mais de 600 desse tipo e suas variantes, usados nas mais diferentes
missões e em todos os mares por onde a Kriegsmarine (Marinha
de Guerra Alemã) atuou.
Dois desses U-Boats Tipo VII inclusive andaram em águas
brasileiras após a entrada do Brasil na Segunda Guerra.
Apesar de serem projetados para um médio alcance, era
comum o fato de serem reabastecidos em alto-mar e continuarem
suas missões por até 3 meses sem retornar ao porto.
Com uma autonomia de aproximadamente 8.500 milhas, a uma velocidade
de cruzeiro de 10 nós, os U-Boats Tipo VII eram muito
populares entre suas tripulações, pois não
eram tão pequenos e desconfortáveis quanto os
Tipo II Costeiros e nem demoravam tanto para submergir e escapar
de um ataque quanto os Tipos IX Oceânicos.
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Anos depois, o Cap. Lehmann no set de filmagem
do filme (ao centro) |
O
escritor Lothar-Günther Buchheim esteve à bordo
do U-96, comandado na época pelo Kptlt. Heinrich Lehmann-Willenbrock,
que foi um dos ases da Marinha de Guerra Alemã, ganhador
da condecoração "Cruz de Ferro" por
seus feitos.
Nesse período, o submarino pertencia a 7a. Flotilha com
base em St. Nazaire, porto da França, quando os alemães
usavam os portos francêses para atacar os comboios de
navios Aliados com destino à Inglaterra. Depois o U-96
ainda teve mais 4 comandantes, um deles Kmte. Hans-Jürgen
Hellriegel, também ganhador da "Cruz de Ferro".
O U-96 efetuou 11 patrulhas de guerra, tendo afundado 28 navios
e danificado 4, foi afundado apenas em 1945, um fato raro na
luta submarina, pois poucos submarinos alemães começaram
a guerra e praticamente chegaram ao seu final.
Seu naufrágio se deu no porto alemão de Wilhelmshaven,
atacado por bombardeiros americanos, o que remete ao final do
filme em uma cena tensa de destruição e mortes.
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