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Naufrágios famosos

Velha de guerra

Em outubro deste ano, segundo estimativas, a Corveta V-17 - mais conhecida como "Corveta Ipiranga" - completou 20 anos desde seu afundamento.

Por: Maurício Carvalho
Edição: Mathias Carvalho

A Corveta em ação, antes do acidente
Em outubro de 1983, após chocar-se com o Cabeço da Sapata, afundava ao largo da Ilha de Fernando de Noronha a Corveta V-17 da Marinha do Brasil. A Ipiranga, como era conhecida, deixava de navegar como um navio de patrulhamento e apoio já obsoleto e envelhecido, para entrar definitivamente na história, como um dos melhores e mais famosos pontos de mergulho do mundo.

As Corvetas da classe Imperial Marinheiro foram idealizadas e mandadas construir pelo Almirante Renato de Almeida Guillobel, em sua gestão à frente do Ministério da Marinha. Foram originalmente concebidas como: navio guarda-costas, rebocador, mineiro e varredor e por isso, alcançavam uma velocidade máxima de apenas 12 nós. Possuindo além de canhões, sistemas de varreduras de minas e lançadores de cargas de profundidades.

Vida abundante
A V-17 foi o quarto navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome Ipiranga, em homenagem ao riacho histórico do estado de São Paulo. Ela foi encomendada ao estaleiro L. Smit & Zoon, Kinderdizing de Roterdam, Holanda. Teve sua quilha batida em 17 de outubro de 1953, foi lançada ao mar em 26 de junho de 1954 e incorporada, mostrou armamento em 6 de janeiro de 1955.

Idêntica a sua irmã; V-18 - Forte Coimbra, que também naufragou ao chocar-se com a laje na entrada do porto de Natal, RN, a Ipiranga com 56,15 metros de comprimento e 9,9 de boca, arqueava 950 toneladas.

Com a modernização das frotas comerciais e o gradual aumento da velocidade dos navios mercantes, as corvetas da Classe Imperial Marinheiro, devido a sua pequena velocidade, perderam sua função de interceptação e patrulhamento.

No início da década de oitenta, as unidades remanescentes da classe já haviam removido seus trilhos de lançamentos de minas e as paravanas de varredura de minas. Restando apenas as características de uma unidade de patrulha, apoio e salvamento.

No segundo trimestre de 1980, a V-17 foi colocada em prontidão a serviço do Salvamar do 3º Distrito Naval. Além de operações navais foi navio de socorro na área do nordeste, prestando auxílio a diversas embarcações em dificuldades.


A Corveta à pique

Estrutura coberta de corais
No dia 12 de outubro de 1983, durante uma comissão de apóio e patrulhamento a Ipiranga aproximou-se de Fernando de Noronha durante uma manhã de tempo bom e claro e mar calmo. Inexplicavelmente, às 10:00 horas da manhã ela chocou-se com o Cabeço da Ponta da Sapata, uma rocha íngreme, que durante a maré baixa, se ergue de mais de cinqüenta metros até pouco menos de dois metros da superfície. O estranho é que o cabeço era assinalado nas cartas náuticas e indicado nos avisos à navegação.

Após o choque, o Comandante Rocha deu ordem para parar as máquinas e mandou verificar as avarias na embarcação. Logo foi percebida a rápida entrada de água pelo porão frontal, se estendendo até a casa de máquinas. O choque provavelmente provocou além de fendas no casco, o empeno dos eixos e hélices, o que tornou a movimentação do navio impossível.

Penetração técnica: restrita aos entendidos
Não havia outras unidades da Marinha ao alcance de Noronha para prestar socorro, nem embarcações locais, com porte suficiente para o reboque ao interior da enseada de Santo Antônio. A água já atingia o nível do convés, quando o comandante reuniu-se com seus oficiais deliberando pelo abandono da embarcação. Foi dada a ordem para baixar as baleeiras e carregá-las com o que pudesse ser salvo. A Ipiranga demorou cerca de 8 horas para afundar, derivando cerca de 400 metros do Cabeço da Sapata. Durante esse período, várias embarcações de pesca da ilha aproximaram-se da corveta auxiliando nos trabalhos de descarregamento e retirada de diversas peças importantes do armamento e navegação.

Posteriormente, os mergulhadores da unidade de resgate da Marinha do Brasil desceram aos destroços retirando as 4 metralhadoras Oerlikon Mk 10 de 20 mm. e outras peças menores, já que o canhão de 3 polegadas não pode ser retirado. O inquérito da Marinha determinou que o acidente ocorreu devido à dificuldade de identificação da posição do Cabeço da Sapata, estrutura muito pequena. O comandante Rocha foi considerado isento de culpa, sendo posteriormente promovido e assumindo o departamento de resgates da Marinha, continuando sua carreira.


Fim de uma carreira - e o início de outra ...

Proa: emoção à primeria vista
Em 1983 a situação econômica do país era complicada e diversos nomes se sucediam no ministério da Fazenda e a frente do Banco Central. O cenário político era ainda mais complexo; a ponto de em 20 de outubro o presidente João Batista Figueiredo decretar "Situação de Emergência", o que impedia manifestações públicas entre outras atividades. O regime militar finalmente sucumbia, mais ainda lutava
Algumas coisas não mudavam. O governo americano ameaçava intervir no Golfo Pérsico, ameaçando o Irã, enquanto lutava dentro do Líbano.

Com toda essa agitação política, as notícias nos jornais sobre o afundamento da Corveta Ipiranga foram limitadas.

A partir de 1984 o turismo de mergulho em Fernando do Noronha ganhou muito incentivo, com fotógrafos e profissionais como Russell Coffin e Randal Fonseca à frente da operadora Águas Claras. Diversos documentários, nacionais e internacionais foram realizados sobre a ilha e em todos a Corveta Ipiranga aparecia como o astro maior da Ilha.

Nos anos subseqüentes, diversos mergulhadores retiraram o Sino do navio, o brasão da república da proa e os emblemas da marinha da chaminé, parte da operação registrada em um documentário internacional do produtor Jonh Mckenney.

Finalmente, na década de 90, com a massificação das operações de mergulho a Corveta Ipiranga ganhou seu lugar de destaque no cenário do mergulho e a proteção necessária a tornar-se um dos mais completos naufrágios do mundo.

Hoje a Corveta permanece pousada corretamente no fundo a 60 metros de profundidade, ligeiramente adernada para bombordo. Toda a estrutura do navio original está mantida. Na proa existe uma escotilha aberta que dá acesso ao paiol de cabos. Atrás do guincho da âncora encontra-se o canhão de 3 polegadas. Seguindo-se na direção da popa chega-se ao casario com dois pavimentos.
No primeiro pavimento existem duas torres de onde foram retiradas duas das metralhadoras pelos mergulhadores da Marinha.

Superestrutura
Na parte mais alta do casario, encontra-se a ponte de comando, com abertura para bombordo e boreste. Dentro dela, encontramos todos os instrumentos de navegação como telégrafo de máquina, timão, cúpula de radar e rádios. Uma das vigias está aberta e da vista para a proa da corveta. A partir da cabine de comando podem ser atingidas outras partes da superestrutura do navio, tanto em direção a popa, como ao convés inferior. Diversas portas da casaria estão abertas permitindo penetrações na enfermaria, banheiros, alojamento de oficiais e sala de rádio e navegação.

Na popa há estruturas corrediças, de amarração e cabos de aço. As duas grandes estivas de porão estão fechadas, porém com as tampas deformadas para dentro. Os hélices e leme estão livres do fundo, porém o hélice de bombordo perdeu uma de suas três pás.

De bombordo pendem cabos de aço, e os suportes de salva-vidas estão vazios. O mastro de carga de popa está caído para este lado. Na parte superior do navio, os 55 metros, estão a chaminé e o mastro duplo.

Um passeio pela Ipiranga e sem dúvida uma viagem inesquecível ao passado e uma aventura para todos os mergulhadores que gostam da sensação do desafio.

Imagens submarinas gentilmente cedidas pela Atlantis DIvers, em Noronha


Serviço:



Mergulho em Noronha:
www.atlantisnoronha.com.br
www.aguasclaras-fn.com.br
www.noronhaonline.com.br

Cursos de mergulho em naufrágio:
www.naufragiosdobrasil.com.br
www.aquaticos.com.br
www.divingcollege.com.br
www.easydive.com.br

Credenciadoras recreacionais:
www.padi.com
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Credenciadoras técnicas:
www.nauitec.com.br
www.iantd.com.br

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