Técnicas
e equipamentos
Afundado
em Tecnologia
Todo
mundo já ouviu falar, muitos fazem pinta de quem entende
sem nunca terem visto um, e poucos realmente sabem do que estão
falando.
Por:
Paulo
Gorab
Edição:
Mathias
Carvalho
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| Imagem
de um naufrágio produzida pelo side-scan |
Quando
falamos sobre naufrágios, imediatamente pensamos em antiguidades,
tesouros e em como o navio foi encontrado. Na última
matéria sobre maneiras
para se achar um naufrágio, nos deparamos com métodos
rudimentares e baratos. E se você relaciona um barco afundado
com velharia, prepare o bolso, pois aí vêm equipamentos
que envolvem alta tecnologia e cabem em poucos bolsos.
Um dos primeiros métodos a utilizar alta tecnologia foi
o magnetômetro, equipamento que serve para identificar
metais escondidos na areia ou no fundo do mar. Hoje esses equipamentos
são complementares a outros que veremos a seguir e, claro,
evoluíram muito. Com freqüência, fala-se no
magnetômetro de césio, um dos mais modernos e populares,
o que não implica num preço "popular":
algumas dezenas de dólares.
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| Sistema
computadorizado |
Junto
ao magnetômetro, outro método popular são
os side scan sonars, ou sonar de varredura lateral. Trata-se
de um pequeno torpedo, rebocado por um barco, que emite ondas
em direção ao fundo do mar e são refletidas
pelo solo do oceano ou por qualquer objeto que lá esteja.
O sonar lê essas ondas refletidas e consegue interpretar
como imagens as diferenças entre as ondas emitidas e
aquelas refletidas. Através de um cabo de dados - que
liga o sonar a um computador no interior da embarcação
- essas informações são processadas por
um software específico, que então apresenta na
tela do computador uma imagem do navio no fundo. Vale lembrar
que essas imagens têm uma qualidade próxima da
fotografia.
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| Modelo
comercial de side-scan |
O
sonar pode operar em várias freqüências de
ondas - usualmente de 150 KHz a 1200 KHz - e portanto ter áreas
de varredura e precisão distintas. Quanto maior a freqüência,
maior a precisão da imagem e menor a área de varredura
do fundo do oceano. Para se ter uma idéia, o modelo Sea
Scan, da Marine Sonic Technologies, quando operando em 1200
KHz consegue varrer uma faixa de fundo de 20 metros de largura
em alta resolução. Já trabalhando em 150
KHz, a área de varredura sobe para 400 a 500 metros,
porém a resolução cai quinze vezes.
Assim,
em uma busca a naufrágio, usa-se a maior área
possível de varredura e identifica-se previamente os
alvos principais, aqueles pontos nos quais existe maior probabilidade
de se ter um navio. Em seguida, volta-se a esses pontos a fim
de examiná-los com maior resolução e obter
uma imagem mais nítida daquilo que está no fundo.
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| Imagem
de um submarino russo |
Para
juntar o melhor dos dois mundos, existe ainda modelos de side
scan sonar que já vêm com um magnetômetro
acoplado. Assim, no mesmo sistema vê-se a imagem do alvo
e sua constituição metálica: um motor ou
caldeira, um casco de metal, hélices grandes e outros
elementos que possam identificar o que buscamos. Junte-se a
esses sistemas um GPS (Global Positioning System) e teremos
também a localização exata do alvo, com
precisão de poucos metros. Toda essa informação
ainda pode ser armazenada em sistemas digitais ou impressa.
Sem dúvida é o brinquedo dos sonhos de 11 entre
10 mergulhadores que pretendem encontrar naufrágios.
Pra variar, o preço fica na casa das dezenas de milhares
de dólares. Como eu disse, um sonho!
O futuro é hoje
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| O
Taurus, gerando imagem do naufrágio do Pinguino
(Ilha Grande) |
Como
já dizia o velho samba, "sonhar não custa
nada"; então vamos em frente. O grande problema
da aplicação dos side scans é que usa-se
um barco para rebocá-los, a velocidades baixas, e ainda
fica-se dependendo dos humores de Netuno. O resultado é
que demora-se bastante tempo para rastrear algumas áreas,
e às vezes os gastos se tornam proibitivos. Assim, o
problema foi resolvido com mais tecnologia.
O
que poderia ser chamado de ficção científica
já existe. Ao invés de barcos, usa-se hoje aviões,
equipados com sistemas de sonar a laser. O resultado é
absurdamente impressionante: áreas enormes de mar varridas
em pouco tempo, devido a alta velocidade do avião, e
com precisão incrível, garantida por sistemas
altamente informatizados. E sem ter que negociar com Netuno.
Obviamente são os sistemas mais modernos disponíveis
hoje em dia, e o preço dispensa comentários; afinal,
você sabe quanto custa um avião!
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Serviço:
Saiba
mais sobre este equipamento:
www.marinesonic.com
(Marine
Sonic Technologies)
www.abc.se
(história,
tecnologia, expedições)
www.dhn.mar.mil.br
(o Taurus, navio hidroceanográfico da Marinha do Brasil,
equipado com side-scan)
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