Naufrágios
famosos
Port
Royal
Você
já viu nos filmes, sonhou com ela quando era criança
- brincando de pirata, mas não sabia que esta antiga
cidade caribenha submergiu a centenas de anos - com todo mundo
dentro.
Por:
Rodrigo
Coluccini
Edição:
Mathias
Carvalho
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Terremoto na Jamaica |
A
Jamaica é bastante conhecida atualmente por ser a terra
natal do Reggae, de Bob Marley e outros ícones deste
estilo musical. No passado, esse paraíso tropical ,antiga
colônia da Espanha, viu muitos navios naufragarem em suas
águas. A maioria destes naufrágios são
de navios de pequeno porte e entre eles se destacam dois navios
de Cristóvão Colombo, o Capitana e o Santiago
que naufragaram na quarta e última viagem realizada pelo
famoso navegador, tendo como destino as Américas.
Mas , a Jamaica entrou na mira dos arqueólogos submarinos
por ter um sítio submarino muito peculiar : A Cidade
de Port Royal.
Port
Royal foi fundada na metade do século 17, após
os britânicos tomarem a Jamaica dos Espanhóis.
Este porto, devido a sua localização geográfica,
era uma base perfeita para a operação de corsários
que agiam em favor da coroa britânica, contra os Espanhóis.
Entre eles estava Henry Morgan, que ficou famoso pelos
seus ousados atos de pirataria.
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Sir Henry Morgan, pirata e businessman |
Essa
era uma cidade fortificada e vivia sobre a proteção
de três fortes situados estrategicamente na área
e que causava respeito em todos os que singravam o Mar das Caraíbas.
Após 40 anos de sua fundação, e com uma
população de 8.000 pessoas, Port Royal
era considerada a cidade mais depravada da terra, tanto que
alguns a chamavam de "Sodoma e Gomorra".
Entre
os itens comercializados, estavam açúcar e escravos,
além dos itens roubados pelos piratas que freqüentavam
a cidade.
Mas
o futuro daquela cidade estava selado.
A Jamaica , que enfrentava há muito tempo furacões
que jogavam os navios em cima dos recifes, se encontra no
extremo Sul da Falha de San Andrés, que a coloca em
uma área de incidência de terremotos.
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Vista externa do sítio submerso |
Na
manhã de 7 de Junho de 1692, a temperatura estava altíssima
e um ruído tremendo e um forte abalo atingiu a cidade.
Em questão de minutos, casas desmoronaram e as ruas
se abriram, permitindo que a água do mar invadisse,
sem cerimônias, os locais por onde as pessoas trafegavam.
Port Royal foi construída com materiais de baixa
qualidade e, quando o terremoto começou, tudo veio
abaixo em uma velocidade que surpreendeu a população.
Os moradores foram sugados pelas águas do mar do Caribe
e morreram afogados. Estima-se que 2.000 pessoas morreram
durante o terremoto, seguidas de outras 3.000, devido a doenças
epidêmicas. Dois terços da cidade foram destruídos.
Logo após o terremoto, muitos já se aventuraram
na cidade submersa em busca de objetos tragados pelo mar.
Logo, esses esforços foram deixados de lado devido
a profundidade e dificuldades do novo ambiente onde agora
parte de Port Royal descansava.
Redescobrindo
a cidade
Desde
a década de 1950, alguns exploradores estiveram explorando
Port Royal. Entre eles, podemos destacar dois ícones
da exploração submarina : Edwin Link (1959)
e Robert Marx (1965).
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Mergulho de pesquisa no sítio submerso
de Port Royal |
A
ida de Robert Marx foi de grande importância para a
preservação da cidade submersa, pois o governo
local desejava construir um novo porto no local onde estava
o sítio arqueológico.
Apesar de utilizar um método não muito adequado
para a retirada de objetos, o que causou danos a vários
itens, Robert Marx ressaltou a grande importância daquele
sítio arqueológico e os esforços para
a construção do novo porto foram suspensos.
Além disso, Marx retirou a maior parte dos artefatos
encontrados hoje no museu local.
Na década de 80, a união de três forças
( Institute of Nautical Archaeology , Nautical Archaeology
Program da Universidade A&M
do Texas e o Fidecomício Nacional da Jamaica)
permitiram a realização de novas e intensas
explorações na área.
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A linha azul marca a antiga costa, a verde
a costa pós-terremoto, e a vermelha a costa atual |
Sob
o comando do arqueólogo Donny Hamilton, alunos da Universidade
A&M do Texas, realizaram milhares
de mergulho de prospecção, explorando e mapeando
toda a cidade. A partir de uma balsa de apoio na superfície,
os alunos utilizaram narguilês para atingir profundidades
que variavam de 3 a 9 metros.
O trabalho no local foi dificultado pela baixa visibilidade,
que não excedia os 4 metros, sendo mais comum 1 metro
de visibilidade apenas.
Uma "capa" de coral de 30 cm encobria os restos
da cidade e um "Air Lift" era utilizado para facilitar
o trabalho de escavação.
Em uma das etapas da escavação , foi explorado
um pequeno prédio que teve uma de suas paredes desabada.Mais
tarde , após terem removido essa parede de cima do
piso , eles encontraram uma grande quantidade de garrafas
de formato "cebola" e estudos posteriores levaram
a crer que aquela era uma antiga taberna.
Os esforços em preservar Port Royal são um exemplo
de união de esforços que deve ser seguidos pela
comunidade internacional. Além desta cidade, muitos
outros sítios arqueológicos semelhantes são
encontrados em todo o mundo, inclusive no Brasil.
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