Livros
"A
verdadeira história de Robinson Crusoé"
Todos
conhecem (e alguns invejam) o famoso náufrago que passou
anos sozinho numa ilha deserta. Poucos sabem que ele existiu
de verdade, e que a história era bem diferente do que
contaram.
Por:
Aldo
Monteiro
Por:
Mathias
Carvalho
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Há
algum tempo, um dos livros mais lidos por aqueles que apreciavam
uma boa história de aventura era Robinson Crusoé
de Daniel Defoe. Foi publicado em 25 de abril de 1719 e, desde
a sua primeira edição foi um sucesso: era o máximo
da história de sobrevivência. Embora Defoe fosse
criticado por incorreções, erros de texto, fatos
inverossímeis e até mesmo impossíveis,
os leitores se projetavam e se perguntavam o que fariam se tal
fato ocorresse com eles.
Em 1720, Defoe lançou duas continuações:
Outras aventuras de Robinson Crusoé sendo a segunda
e última parte de sua vida e dos estranhos e surpreendentes
relatos de suas viagens em três partes do globo e
uma obra de grande religiosidade, Reflexões sérias
da vida e as surpreendentes aventuras de Robinson Crusoé:
sua visão do mundo dos anjos A segunda parte foi
muito publicada, apesar de pouco lida. A terceira foi imediatamente
esquecida. Porém, no prefácio desta última,
Defoe provoca os leitores: Existe um homem, bastante
conhecido, cuja vida é tema desses livros e de quem trata
toda ou a maior parte da história.
Realidade e fantasia
Os
oficiais pronunciavam Selcraig, Selchraige ou Sillcrigge, Silkirk,
Selkirk. Nasceu em 1680, Nether Largo, região de Fife,
oeste da Escócia. Alexander Selkirk era mestre do galeão
Cinque Ports que juntamente com o Saint Georges lançaram
numa missão corsária na costa oeste da América
do Sul. Era uma viagem fadada à desgraça: os navios
se perderam, uma boa parte das tripulações morreu
de escorbuto, além de brigas e motins. O Cinque Ports
ancorou na ilha de Juan Fernandez na costa do Chile, para carenagem
e estocar água fresca e suprimentos.
Era uma ilha vulcânica, de difícil localização,
utilizada eventualmente por navios avariados devido à
proteção natural que lhes proporcionava. O capitão
Stradling deu ordens para zarparem, mas Selkirk se opôs,
argumentando que o navio não estava em condições
de navegar. Muito mais uma briga de vaidades que uma disputa
técnica, o capitão Stradling ordenou que Selkirk
fosse abandonado na ilha. Apenas quatro anos e quatro meses
depois, Selkirk foi resgatado.
Este
é o relato de Diana Souhami em seu livro A ilha de
Selkirk, a verdadeira história de Robinson Crusoé,
um ensaio sobre a vida e época em que viveu o homem que
inspirou Daniel Defoe. Para quem pensava que Robinson Crusoé
era um náufrago, descobrir que o homem que o inspirou
era um corsário chega a ser desconcertante. Um livro
rico em detalhes sobre o dia-a-dia nas embarcações
que cruzavam os mares nos séculos XVII e XVIII. Vale
a pena conferir.
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