Naufrágios
famosos
A
Caixa do Pandora
A
história do HMS Bounty é bastante conhecida, mas
poucos sabem sobre o destino de seu perseguidor, o HMS Pandora.
Por:
Rodrigo
Coluccini
Edição:
Mathias
Carvalho
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O HMS Pandora nos seus últimos
momentos |
O ano era 1787 e o capitão William Bligh comandava o
HMS Bounty, em uma viagem em direção ao Pacífico.
Sua missão era trazer árvores de fruta pão
das ilhas do Pacífico para a colônia britânica
nas Índias Ocidentais para alimentar os escravos.
William
Bligh era um capitão da marinha com uma irretocável
ficha de serviços. Era considerado um marinheiro de alta
classe e tinha muitos simpatizantes no Almirantado Britânico.
O segundo oficial a bordo do HMS Bounty era Fletcher
Christian, uma amigo pessoal de Bligh que, junto com dois jardineiros
e quarenta e sete tripulantes, compunham a tripulação
do navio.
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| Réplica do HMS Bounty |
Após
dez meses de viagem, o Bounty chegou ao Tahiti onde se transformou
em uma "casa verde flutuante" a medida que eram colocados
a bordo as árvores de fruta pão. Durante cinco
meses, o navio ficou ancorado na ilha e os modos do capitão,
que eram considerados rígidos - como todo capitão
britânico deveria ser, foram substituídos por uma
abertura maior e gradual à medida que os dias iam passando
naquele paraíso tropical.
Muitos
dos tripulantes, incluindo o Fletcher Christian, se apaixonaram
pela vida tropical e pelas nativas do Tahiti.
Quando
os cinco meses se passaram e o Capitão William ordenou
que o Bounty deveria navegar, os homens ficaram de coração
partido e índole arisca. Foi quando o capitão
teve que impor a ordem com comandos pouco populares. Não
levou muito tempo, apenas vinte e quatro dias, para um sangrento
motim se iniciar a bordo! Fletcher Christian que, além
de segundo oficial no comando era amigo de Wlliam Bligh , liderou
a rebelião que expulsou o capitão e mais dezenove
tripulantes do navio, leais à coroa. Eles foram colocados
em um pequeno bote e abandonados a própria sorte!
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Fletcher
Christian e o capitão
William Bligh (detalhe) |
Usando
apenas um cronômetro para navegação, o Capitão
Bligh cruzou 3.618 milhas náuticas até atingir
uma ilha da Indonésia, onde foi resgatado e retornou
ao seu lar na Inglaterra.
Sob
o comando de Fletcher Christian, o Bounty retornou ao
Tahiti. Alguns dos amotinados se estabeleceram na ilha enquanto
Fletcher navegou com outros oito membros da tripulação
e mais uma dúzia de tahitianos para a ilha de Pitcairn
para estabelecer um povoamento.
Após retirar tudo que poderia ser usado do navio, os
amotinados o queimaram na baía principal da ilha. Eles
permaneceram sem contato com o mundo ocidental até 1808
quando um baleeiro fez uma parada na ilha.
Quando o Capitão William Bligh finalmente chegou a Inglaterra
, em 1790 , três anos após ter saído do
porto de Portsmouth, ele encontrou os almirantes ingleses sedentos
por vingança! Não era aceitável em nenhuma
hipótese, um motim a bordo de um navio de sua majestade!
Os amotinados deveriam pagar da forma mais cruel para que este
fato não se repita jamais!
O HMS Pandora
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Modelo do HMS Pandora |
Então,
os ingleses escolheram um capitão confiável e
conhecido por ser um marinheiro rígido e cumpridor das
leis para ir atrás dos amotinados do Bounty. Seu nome
era Capitão Edward Edwards e seu barco era a fragata
de vinte e quatro canhões HMS Pandora.
Navegando a todo o pano, o Pandora atingiu o Tahiti em
apenas cinco meses , metade do tempo que o Bounty levou.
Durante a navegação, o Capitão Edward pensou
em como ele iria condicionar os amotinados dentro de seu navio.
Após algumas reuniões com seus imediatos, ficou
decidida a construção de uma caixa, que ficaria
na popa do navio. Tal caixa mal comportava quatro homens em
pé e só existia uma forma de comunicação
com o mundo exterior: uma pequena abertura, de apenas dois lados
da caixa, pela qual dificilmente se passaria uma refeição
decente ou um pequeno pote de água.
Essas eram as "CAIXAS DO PANDORA" !!!!
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Mergulhador escavando peças do HMS
Pandora |
Logo
que chegou ao Tahiti, a tropa a bordo do Pandora localizou os
amotinados e os prendeu nas caixas. Eram quatorze prisioneiros,
que foram colocados à força dentro destes minúsculos
compartimentos.
Durante
meses , o Pandora procurou em vão pelos outros
amotinados , incluindo o oficial e líder da rebelião,
Fletcher Christian. O capitão Edward singrou todo o Pacífico
e finalmente decidiu retornar a Inglaterra, passando pelo estreito
de Torres, entre o Nordeste da Austrália e a Nova Guiné.
Em 1791, o Pandora atingiu um recife que arrancou seu
leme com a pancada. A tripulação jogou ao mar
todas as peças de artilharia a bordo, em uma tentativa
de salvar o navio, mas a embarcação continuava
a fazer água. Ao anoitecer o capitão deu a ordem
para abandonar o navio, ordenando aos tripulantes que deixassem
para trás todos os pertences pessoais. Apenas quatro
dos amotinados se salvaram do naufrágio. Após
um curto tempo , os náufragos atingiram o Timor e retornaram
à Inglaterra.
O reencontro
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A âncora do HMS Pandora |
Em
1970 , a busca pelos destroços do Pandora se iniciou.
Dois fotógrafos submarinos levaram mais de cinco anos
procurando pelos restos do navio e tiveram a ajuda da Força
Aérea Australiana, que enviou um avião equipado
com um magnetômetro, usado para detectar submarinos. Em
1977 eles localizaram um provável alvo , na parte externa
da Grande Barreira de Corais. Quando os mergulhadores foram
investigar, eles encontraram a 34 metros de profundidade o que
estavam procurando.
O naufrágio foi logo sendo declarado como monumento nacional.
Uma pesquisa arqueológica só foi iniciada seis
anos depois, quando o museu de Queensland assumiu responsabilidade
pelo projeto.
Após várias expedições, foram identificados
no sítio de mergulho vários itens pertencentes
ao Pandora, tais como: ferramentas, armas, itens pessoais,
parte do casco - ainda visível - ostentando uma âncora,
canhões encrostados de corais, etc.
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Seringa encontrada no Pandora |
Dos
objetos pessoais encontrados ,os mais interessantes foram :
um telescópio, uma mala de cirurgião, seringas
de marfim, um relógio e jarras de cerâmica ainda
intactas.Algemas de pernas também foram encontradas,
lembrando aos arqueólogos qual era o objetivo do Pandora.
Quanto ao Bounty, ele também foi localizado após
alguns mergulhos de busca na ilha de Pitcairn. Muito pouco resta
do orgulhoso navio britânico pois, além de ter
sido desprovido de vários itens, ele também foi
incendiado pelos amotinados.
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Da esquerda para a direita: Clark Gable,
Marlon Brando, Mel Gibson. O Bounty em 3 versões
para o cinema |
A
expedição de busca ao naufrágio do Bounty
também encontrou, na ilha de Pitcairn, o povoado que
Fletcher Christian e seus companheiros iniciaram. Entre os habitantes
, vários são parentes diretos dos ingleses que
mancharam a reputação da marinha britânica.
Entre
os monumentos do povoado, foi encontrada uma pilha de lastro
que ostentava uma insígnia de bronze da Marinha Britânica.
E esse foi o fim de dois navios de guerra britânicos.
Tudo por causa de um paraíso tropical.
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