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Exposição

"Navegar é preciso ..."

No mês de Setembro de 2003, o Centro cultural da Marinha, em São Paulo, apresentou a exposição de miniaturas náuticas criadas a partir de materiais inusitados.

Por: Aldo Monteiro
Edição: Mathias Carvalho

O autor e sua obra
Centro Cultural da Marinha em São Paulo, domingo, 07/setembro/2003, 13 horas. Chego um pouco adiantado para a entrevista que teria às 13h30 com Dona Rita Verdaguer. Observando o salão de entrada com, infelizmente, poucas referências navais, pergunto ao marinheiro de guarda se poderia já ir dando uma olhada na coleção de miniaturas.

"Só com a presença de Dona Rita", responde categoricamente. Não entendi de imediato esse excessivo zelo. Somente quando alguns minutos mais tarde uma senhora de estatura mediana, cabelos já grisalhos e um delicioso sotaque uruguaio abriu as portas à esquerda do salão onde me encontrava pude observar que estava como que diante de várias vitrines de uma joalheria.

Esperanza - casca de castanha-do-pará,
com 78mm
Jóias fabricadas de materiais diversos: sabão de coco, madeira, linha de bordar, linha de costura, seda, e outros tantos; e o mais intrigante, casca de nozes (européias e brasileiras), de castanhas-do-pará, de pistache, de coco e até... um caroço de azeitona!

Não eram jóias feitas ao acaso. Cada material tinha a sua função. As cascas de nozes ou castanhas-do-pará ou pistache ou coco representavam a forma e a textura de um casco; os diversos tipos de linha, os diversos tipos de cordame e adornos laterais; o tecido, as velas; a madeira dava forma aos castelos de proa e popa, mastros e tudo ao que ela podia se moldar. As pequenas jóias eram miniaturas de galeões, caravelas, barcos orientais e fluviais, navios de guerra e de paz. Navios antigos.
King George - casca de coco 330mm


Jorge Verdaguer fez o seu primeiro casco em barra de sabão de coco aos oito anos de idade. E foi somente após mais de trinta anos que esse paulistano, já casado com Rita, filho de pais argentinos, descendente de uma família de armadores espanhóis, fez o seu segundo trabalho como miniaturista: um presente para uma amiga do casal, em Buenos Aires.

A partir do final de 1978, Verdaguer divide o prazer de fabricar miniaturas de navios antigos com outras diversas atividades: funcionário da Pan Am, agente de viagens e autor de um método de inglês para executivos.

Foram as limitações impostas pelo diagnóstico de um câncer que o fizeram, por assim dizer, dedicar-se totalmente à sua arte. Responsável por inúmeros work shops em vários organismos governamentais e particulares, ele criou em 1992 um kit para a montagem de uma caravela que poderia ser realizada em apenas duas horas.


Após a sua morte no final de 2002, é sua esposa que ministra os cursos de duas e trinta horas, além de zelar pela manutenção de sua obra e sua memória. Mais de três horas de conversa com essa senhora e saí com a certeza de que o trabalho de seu marido foi uma busca contínua da perfeição dos detalhes. Dos mínimos detalhes.

Serviço:


Para informações sobre cursos
Rita Verdaguer
(011) 3237-1123 ou (011) 9385-9583


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