Técnicas
e equipamentos
"Como
se preparar para situações de emergência"
Programa
de mergulho seguro no Lago Champlain, em Vermont, com uso de
unidades de oxigênio DAN.
Por:
Dan
Leigh, Managing Editor
Edição:
Mathias
Carvalho
Tradução: Johanna
Freire de Carvalho
Aprovação final: Patricia
Caetano; Departamento Internacional - DAN
 |
| Vista
do lago - segredos submersos |
O
lago Champlain, homônimo de Samuel de Champlain (1609)
é, tecnicamente, um canal federal que abrange 784 km2
de águas e ilhas, e separa a região do norte dos
estados da Nova Inglaterra das regiões superiores do
estado de Nova Iorque. Tirando os Grandes Lagos, o lago Champlain
é a maior extensão de água doce profunda
dos Estados Unidos, alcançando profundidades de até
120 metros. O lago é considerado por muitos uma extensão,
se não um dos Grandes Lagos. Por mais de 200 anos, o
lago Champlain foi um lugar seguro, estratégico para
muitas forças combatentes, desde os índios americanos
até os franceses, ingleses e os colonizadores dos Estados
Unidos. Hoje, ele abriga cerca de 300 naufrágios de navios
e inúmeros artefatos, e várias descobertas estão
acontecendo a cada ano.
Quando oficiais da Polícia do Estado de Vermont, a Seção
de Vermont para a Preservação Histórica
e o Museu Marítimo do Lago Champlain se econtraram para
decidir como melhor preservar os locais históricos submersos,
depararam-se com a necessidade crucial de preservação
em expansão: protocolos de segurança para o crescente
número de mergulhadores no enorme lago.
O sargento Warren Whitney, do departamento de Polícia
do Estado de Vermont, contou a DAN que ele vem trabalhando com
o time de mergulho da polícia desde 1984. Entre seus
deveres, está o de preservar os inúmeros naufrágios,
que datam de 1800, em especial os dos períodos comercial
e militar.
 |
| Artefato
resgatado |
"Art
Cohn, diretor executivo do Museu Marítimo do Lago Champlain
e eu reconhecemos a necessidade de ensinar àqueles que
patrulham o lago, como lidar com acidentes de mergulho e administrar
oxigênio" contou Whitney. "Nós percebemos
a importância de um protocolo efetivo, além dos
centros regionais de mergulho, para a inclusão de membros
da patrulha da polícia estadual, da Seção
de Polícia Marítima do Estado e da Guarda Costeira
americana (USCG)".
Cohn, que também é o gerente diretor do Instituto
de Pesquisa Marinha, contou à DAN que a preservação
iniciou em 1985 como uma experiência. "Foi um dos
primeiros programas dessa natureza no país; o objetivo
da Divisão Vermont para Preservação Histórica
era estabelecer um acesso razoável aos locais históricos
submersos" relata Cohn. "O Museu Marinho do Lago Champlain
foi então criado, em parte, para dar acesso, tanto à
comunidade que pratica o mergulho quanto àquela que não
a esse conjunto de riquezas. Será que os mergulhadores
respeitariam os naufrágios e cooperariam, de maneira
voluntária, para o programa?".
"A resposta dos mergulhadores - seu interesse e cooperação
- tem sido extraordinária. Os naufrágios têm
sido extremamente bem cuidados".
Os funcionários do museu e o Comitê Consultivo
para Preservação Histórica concordaram
que a infraestrutura de uma equipe bem treinada deveria estar
pronta, antes de a reserva expandir para 8 locais de naufrágios
em 2002.
Prevenir para não ter que remediar
Cohn contou que Whitney e ele discutiram sobre o direcionamento
do programa ressaltando que, com a expansão para inclusão
de outros naufrágios históricos, com certeza mais
mergulhadores viriam ao lago. A segurança foi eleita
prioridade máxima: ensinar, preparar e apoiar aqueles
na linha de frente, aqueles que primeiro irão responder
aos chamados de resgate ("first responders").
Discussões
entre os funcionários sobre os piores acidentes e cenários
diferentes levantaram a questão: "Como devemos reagir
frente a isso? Cohn responde: "O procedimento lógico
é o treinamento para a administração de
oxigênio e a aquisição de kits de
O2 da DAN" .
 |
| Ilustração
da canhoneira Spitfire, um dos muitos naufrágios
do lago |
No
início de 2001, Whitney, perito em procedimentos de emergência,
incluindo ressuscitação cardiopulmonar, primeiros-socorros
utilizando e administrando oxigênio, começou a
certificar mais de 50 fornecedores de oxigênio utilizando
o material educativo da DAN. Entre aqueles treinados, estão
a equipe da USCG, a Polícia Estadual de Vermont e aqueles
que primeiro irão responder aos chamados de resgate na
região ("municipal responders"). "Para
aumentar a segurança, disponibilizamos um curso para
os "first responders", para a USCG e para a Patrulha
Marítima da Polícia Estadual de Vermont, uma vez
que ambos patrulham o lago durante o ano" ressalta Whitney,
instrutor de mergulho afiliado à DAN desde 1986.
Whitney
também ensina a administração de oxigênio
para praticantes em águas internacionais, entre Vermont
e o Canadá, incluindo as cinco estações
do lago Champlain, a USCG, o resgate de Burlington e Colchester,
que treina este procedimento em águas profundas e em
águas correntes.
John
R. Underhill, policial senior e assistente coordenador da Unidade
de Execução, Educação e Recreação
da Polícia Estadual de Vermont, agiu como facilitador
do programa iniciado por Cohn e Whitney. "O sargento Whitney
buscou recursos através da Unidade de Execução
Recreacional, para comprar os kits de O2 do DAN e colocá-los
no treinamento", declara Underhill. "Entre aqueles
treinados, incluem-se policiais do estado, policiais assistentes,
a equipe de mergulho, a Polícia Estadual de Vermont e
a Guarda Costeira Americana. O programa está crescendo
e, hoje, todo o lago Champlain está coberto. Temos kits
de O2 em todos os seis barcos de patrulha do lago".
Underhill conta que mais equipamentos e treinamentos estão
no horizonte, destacando a necessidade de habilitar equipes
de patrulha na utilização de desfibriladores externos
portáteis. "O capital para isso deve vir do subsídio
federal contra o terrorismo", diz ele.
Faca de dois gumes
 |
| Mergulhador
pesquisando artefatos |
Underhill
declara também, que Cohn faz, periodicamente, um resumo
para o pessoal da patrulha da reserva, dando informações
importantes sobre um naufrágio em particular, tais como
sua profundidade e sistema de bóias. "Ao mergulhar
com o Sr. Cohn, ele nos indica as condições e
características singulares de cada local de naufrágio,
para nos auxiliar a melhor monitorá-los" conta.
"O Sr. Cohn sabia que estava, potencialmente, abrindo a
proverbial caixa de Pandora; mais naufrágios na
reserva, significaria mais emergências em potencial".
"Mais
de 800 praticantes do mergulho se inscreveram para mergulhar
em 2002. Através de sua inscrição anual,
receberam um prospecto de preservação, que indica
o ancoradouro do local, guias de como mergulhar no naufrágio
e os perigos relacionados a cada um deles", disse Cohn.
 |
Casco
da
canhoneira Philadelphia |
Underhill
conta que desde o início do programa e treinamento, a
guarda costeira e as unidades de patrulha estadual da Divisão
Marinha relataram ter respondido a um grande número de
acidentes de mergulho. "Tivemos pessoal no local administrando
oxigênio", conta. "O programa está funcionando".
De
modo semelhante, Cohn descreveu um acidente de mergulho recente,
que não teve um resultado positivo. "A patrulha
marinha teve um tempo curto para reagir" narra. "O
capitão da embarcação que transportava
os mergulhadores tinha os kits de O2 da DAN, e as unidades de
patrulha chegaram ao local equipados dos kits e de material
de primeiros-socorros".
Cohn concluiu: "Estamos tentando providenciar um acesso
razoável aos locais apropriados de naufrágio,
de maneira que estas riquezas públicas possam ser compartilhadas.
Trabalhando em conjunto com o Sistema de Preservação
Histórica Subaquática, a Guarda Costeira Americana
e a DAN, estamos nos esforçando para suprir a comunidade
do mergulho com habilidades de resposta apropriadas em casos
de emergência".
Mergulhando nos naufrágios da
reserva
Quando, em junho passado, um mergulho instrutivo, cuidadosamente
supervisionado, terminou em ascensão controlada, porém
rápida, o acontecimento testou o resgate ("first
responders"). O instrutor evitou uma situação
de pânico, assistindo o seu aluno até superfície,
fazendo um mergulho repetitivo a uma profundidade de 18 metros.
| Condições
do mergulho na área |
Profundidade
dos naufrágios: 5-33 m.
Temperatura no verão à profundidade de 12 m.: 19oC.
Queda de temperatura após 12 m.: 13oC.
Temperatura entre 18 e 21 m.: 4-10oC.
Temperatura a 27 m.: 4oC.
Neoprenes para água gelada: para uma estada limitada,
mas não para uma estada prolongada em profundidade.
Correntezas: presentes na maioria dos locais, porém
não chegam a ser problema para os mergulhadores.
Visibilidade: 3-9 m., no centro do lago. |
 |
Reprodução
sobre imagem
de side-scan |
Após
emergir, o instrutor reclamou de dores leves na parte superior
do tórax e falta de ar. O capitão da embarcação
logo detectou a necessidade do uso de oxigênio a 100%
e seguiu com os protocolos estabelecidos no fornecimento de
oxigênio a mergulhadores acidentados.
A
tripulação acionou a Guarda Costeira Americana,
que alertou uma unidade marítima da polícia estadual
de Vermont. Ao chegar, minutos depois, transferiu o mergulhador
para o barco da patrulha marítima e foi restabelecido
o uso de oxigênio de emergência. O mergulhador foi
transportado prontamente para a costa, onde uma equipe de paramédicos
o conduziu para um pronto-socorro local. Como um todo, foi um
resgate impecável, como descrito nos livros.
Durante a avaliação, o médico que o assistia
excluiu a possibilidade de uma possível situação
cardíaca, pediu exames de Raios-X de tórax e ligou
para a linha de emergência da DAN para uma consulta.
Os testes mostraram que o paciente não teve nenhum prejuízo
neurológico e, uma vez que sua sintomatologia respiratória
apresentou melhora com o uso de oxigênio superficial,
o médico e o departamento médico da DAN concordaram
que se tratava de um barotrauma pulmonar. A decisão foi
de tratamento continuado com oxigênio a 100% e observação
cuidadosa durante as quatro
horas seguintes.
 |
| Restos
de uma roda de leme |
Além
disso, o médico que atendeu o mergulhador advertiu para
que ele não mergulhasse nas próximas 24 horas,
e adicionou que deveria receber alta para mergulhar de um médico
treinado em medicina de mergulho.
Caso o mergulhador apresentasse sintomas incomuns nas próximas
24 horas, ele deveria contatar novamente o departamento de emergência,
que seria bem-vindo a consultar a DAN para maiores informações.
No geral, os sintomas passaram e o mergulhador logo retornou
à prática do mergulho.
Esse caso demonstra a importância e o valor da cadeia
de cuidados do qual o mergulhador se beneficiou.
Regras de segurança
1. Utilizar a bandeira de sinalização durante todo mergulho;
2. Atracar o barco em bóia de ancoragem;
3. Atracar um barco de cada vez em uma única bóia;
4. Utilizar a bóia apenas em tempo bom e de ventos moderados;
5. Não ancorar dentro de um diâmetro de 60 metros da bóia;
6. Trabalhar o controle de flutuabilidade; evitar contato com
qualquer parte do naufrágio;
7. Não entrar dentro do naufrágio;
8. Preservar o local de mergulho; não remover nenhum artefato;
9. Subida e descida usando cabo apropriado.
Mergulhos em naufrágios em preservação
Para mergulhar em um naufrágio em preservação, lembre-se do
seguinte:
1. Desça pelo cabo da bóia até o patamar de concreto;
2. Ao chegar no patamar, siga o cabo amarelo até o naufrágio;
3. Mantenha o naufrágio sempre à vista;
4. Pratique o mergulho de segurança;
5. Evite subir livremente do fundo; .
Reprodução autorizada: Divers Alert Network |
|
Serviço:
Para
maiores informações sobre as Preservações Históricas Subáquaticas
do Lago Champlain ou para entrar em contato com o Museu Marinho
Lago Champlain:
- Divisão de Vermont para a Preservação Histórica, Prédio National
Life, Drawer 20, Montpelier, VT, 05620-0501, +1-802-828-3051.
- Departamento de Proteção Ambiental de Nova Iorque, Route 86,
Caixa Postal 296, Raybrook, NY, 12977-0296, +1-518-897-1200.
Mais
informações
www.lcmm.org
|
|
|