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Naufrágios famosos

Alemão perdido em Floripa

Pouca gente sabe, mas além das beldades na areia e das ótimas ondas para a prática do surf, existe por lá um submarino alemão da segunda guerra, o Uboat - 513.

Por: Sérgio Carvalho
Edição: Mathias Carvalho

A planta do U-513, modelo IX - C
Durante a Segunda Guerra Mundial, que se desenrolou entre 1939 à 1945, o Brasil tornou-se um ponto estratégico para a campanha das forças aliadas, pois servia de ponto de apoio para a Marinha Americana no Atlântico Sul, e também como um fornecedor de provisões e insumos para a produção de material de guerra, no que era chamado de "Arsenal da Democracia".

O Brasil era conhecido como a "Sentinela do Atlântico" e em nosso país foram instaladas pelos norte-americanos, diversas bases navais e aéreas, para combater as forças do Eixo, formada por alemães, italianos e japoneses.


Por causa do tráfego crescente entre os países da América Latina, que forneciam esses insumos aos EUA, e também pela menor vigilância aérea e naval que os Aliados faziam em nossa costa, o Alto Comando Alemão dos Submarinos, por iniciativa do seu comandante Almirante Karl Doenitz, preparou uma grande ofensiva em nossa costa no ano de 1943.

Essa ofensiva trouxe para nossas águas mais de 20 submarinos, que afundaram 49 navios.

Contudo, suas perdas também foram pesadas, 10 submarinos alemães e 1 italiano jazem no fundo do mar da nossa costa, afundados por forças americanas e brasileiras.

Entre os submarinos alemães, chamados de U-Boats pelos Aliados, uma abreviatura de "unterseeboot" (o nome em alemão para submarinos), tivemos um em especial que chama a atenção por causa de suas vítimas e dele próprio, pois pode vir a ser o único submarino da Segunda Guerra que está naufragado e acessível aos mergulhadores: o U-513.

O U-513 era um U-Boat do Tipo IX-C, chamado de "oceânico", pois tinha uma autonomia de 25.000 Km, o suficiente para cruzar o Atlântico desde sua base na França até a costa brasileira, realizar ataques e retornar.

Construído no estaleiro Deutche Werft em Hamburgo, foi lançado ao mar em 10 de janeiro de 1942, e afundou um total de 6 navios.

O comandante Guggenberger
Ele tinha quase 77 metros de comprimento, largura de 6,75 metros e deslocava 1.232 toneladas submerso.

Seu armamento era constituído de um canhão de 105mm que usava para afundar navios, um canhão antiaéreo de 37mm e outro de 20mm e 22 torpedos de 533mm, que eram lançados de 4 tubos na proa e 2 na popa. Sua tripulação era formada por 54 homens.

Seu comandante, quando de sua atuação no Brasil, era o Kptlt. Karl Friedrich Guggenberger, famoso nos meios militares alemães por ter afundado o porta-aviões inglês HMS Ark Royal no Mediterrêneo. Portanto, um oficial condecorado e experiente.


Campeão de tiro-ao-alvo

Durante seu ataque à nossa costa, entre 21 de junho e 19 de julho de 1943 (dia do seu afundamento) o U-513 fez as seguintes vítimas:

- SS Venezia e SS Eagle (danificado, mas não afundou) no litoral do Rio de Janeiro.

- SS Tutóia (próximo de São Vicente) e SS Elihu B. Washburne (próximo a São Sebastião) no litoral de São Paulo. Com um detalhe muito importante:atualmente, os dois naufrágios são pontos de mergulho visitados por mergulhadores.

- SS Richard Caswell no litoral de Laguna em direção a Santa Catarina.

As forças Aliadas, sabendo da existência desse U-Boat em nossas águas e que seu destino era atacar navios no extremo Sul do país, deslocou especialmente para a base de Florianópolis uma Ala (parte de um esquadrão) de hidroaviões PBM-3D Martin Mariner e o navio-tender americano USS Barnegat para apoio e caça a esse U-Boat.


Submarino avistado em águas brasileiras

Tripulante do Nickle Boat, indicando o "score" de alvos atingidos

No dia 19 de julho de 43, após interceptar uma transmissão de rádio do submarino, que falava com o comando na França, ele foi localizado e atacado pelo Martin Mariner prefixo 74P-5, do comandante Roy S. Whitcomb, que já havia atacado e afundado outro U-Boat no nordeste.

Esse avião, chamado pela tripulação de 9 homens de "Nickle Boat", desfechou o ataque utilizando 2 cargas de profundidade, que explodiram sobre o submarino e o fizeram afundar rapidamente.

Da tripulação original do U-513, 47 homens morreram e 7 foram resgatados pelo tender Barnegat, inclusive seu comandante, levado para os EUA como um troféu, pois era um dos ases da Marinha Alemã.


Procura-se: alemão perdido em Florianópolis

Os restos do U-513 encontram-se em local desconhecido, sabe-se apenas que está em uma possível profundidade de 70 metros, mas não foi encontrado qualquer vestígio do naufrágio até o momento.

A localização exata não é conhecida, pois a estimativa de Latitude x Longitude dos tripulantes do Mariner (27°17S e 47°32W) possui alguns erros de navegação.

Uma vez localizado o U-513, teremos um dos poucos casos no mundo, onde um mergulhador poderia visitar os restos de um U-Boat e suas vítimas no mesmo país. Apenas na costa norte-americana e inglesa temos casos semelhantes.

O U-513 permanece escondido no fundo, à espera de alguém de sorte. Quem sabe não pode ser você?



Insiders - opinião de quem entende

O tamanho da bucha

Maurício Carvalho no batente
Maurício Carvalho, conhecido instrutor de mergulho em naufrágios, dá a receita para a realização de uma expedição ao U-513 - mas, vamos avisando, um trabalho como
esse não é bolinho ...


O episódio de afundamento do U-513, como registrado nos anais militares da época, têm uma característica diferente dos demais afundamentos de U-boats no Brasil: a eficiência do ataque do Capitão-tenente Whitcomb, comandante do avião Mariner 74-P5 que afundou o U-513. O ataque mandou, de forma imediata, o submarino para o fundo, não tendo havido tempo para manobras evasivas e perseguições longas, que poderiam ter alterado a posição do submarino em relação a posição de avistamento informada. Além disso, a permanência de aviões no local do combate até a chegada de um navio de guerra - que resgatou os sobreviventes - criou um um registro mais preciso da posição dos destroços do que nos demais afundamentos da costa brasileira.

Exemplo de ROV equipado com detetor
de metais
Assim mesmo, a área de busca deve girar em torno de pouco menos de 10 milhas quadradas - o que ainda é muito oceano para ser varrido, principalmente considerando a profundidade e a agitação do mar no local que tornam a caçada ainda mais complexa. A busca, sem dúvida, teria de ser feita por uma embarcação que permanecesse diversos dias no mar, enquanto uma varredura da área fosse executada.

Considerando os métodos tradicionais de busca, seria necessário criar subdivisões da área total e utilizar, para esquadrinha-las, equipamentos como um magnetômetro de prótons, que identifica variações do campo gravitacional da terra provocadas por acúmulo de material ferroso, ou um Side Scan Sonar, que produz uma imagem do relevo do fundo.

Side scan sonar
O local do naufrágio - devido ao tamanho da plataforma continental - é sujeito a assoreamento; além disso, pouco mais do que o vaso de pressão sobra de um submarino afundado e ele, devido a seu peso, normalmente acaba parcialmente enterrado. Por isso, o magnetômetro parece ser o método mais indicado.

Além de equipamentos de busca, seria necessária a utilização de sistemas de verificação do fundo, para identificar os possíveis alvos localizados. Duas tecnologias estão disponíveis para esse procedimento: uma câmera de imersão, baixada através do barco por um cabo, para filmar o fundo, porém sem poder fazer manobras; ou um ROV (Remote Operated Vehicle) que seria guiado, a partir da embarcação, filmando o fundo, porém com autonomia de exploração em uma área restrita.

Magnetômetro de prótons
Alguns dos equipamentos necessários para a busca, como o Side Scan, magnetômetro e ROV, dependem de geradores relativamente potentes, principalmente para alimentarem a iluminação e o funcionamento de equipamentos no barco, tais como computadores, entre outros. Uma equipe de, no mínimo 6 pessoas, seria necessária para a operar a embarcação, os equipamentos e realização da busca. Diversos desses membros precisam ser especialistas em eletrônica e computação, pois tanto o Side Scan como o magnetômetro possuem interface para um PC, de onde também pode ser controlado o piloto automático, através de leituras de cartas eletrônicas, GPS diferencial - que possui menor margem de erro, e outros equipamentos de navegação que serão básicos para uma busca dessa magnitude."


O WET agradece ao instrutor Maurício Carvalho, pela sua contribuição nesta matéria

*Mais detalhes sobre os modelos acima estão disponíveis no site JW Fishers
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Serviço:


Mais informações sobre este e outros U-boats
www.uboat.net
www.uboat-bases.com
www.bdu.com.br
www.naufragiosdobrasil.com.br
www.scubaportugal.com

O filme
www.amazon.com (versão do diretor)
www.amazon.com (filme em inglês)

Livros
Submarinos Alemães - A Arma Oculta
Editora Renes - encontrado também em sebos
A Última Caçada do Lobo Cinzento (em São Paulo - Livraria Ponto da Leitura)
Editora Insular (contato em outras cidades do Brasil)

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