Técnicas
e equipamentos
Oxigênio
Respire
fundo, e comece a ler nossa matéria para finalmente entender
que gás é esse que você manda para dentro
dos seus pulmões.
Por:
Valfredo
Júnior
Edição:
Mathias
Carvalho
O
ar que respiramos em nossos mergulhos é composto basicamente
de 21% de Oxigênio e 79% de Nitrogênio. É
sabido de todos que nós efetivamente respiramos o oxigênio,
enquanto o nitrogênio apenas faz volume.
Vale então um estudo um pouco mais aprofundado sobre
este gás que do mesmo modo que garante a nossa vida pode
nos causar alguns problemas.
Como funciona a respiração?
O nosso diafragma ( membrana que divide o tórax do abdome
) recebe um estímulo do corpo dizendo: RESPIRE. Então
ele se distende para fora do tórax e por conseqüência
o espaço do tórax que aloja os pulmões
aumenta, o que causa um vácuo que faz com que o pulmão
infle puxando o ar para dentro.
Este ar percorre o pulmão até os alvéolos
onde o contato com o sangue dos pequenos capilares que recobrem
a membrana alveolar é tão forte que permite uma
troca de moléculas entre o ar e o sangue.
Então,
moléculas - tanto de O2 como de N2 - passam do ar contido
nos alvéolos para o sangue dos pequenos vasos. Parte
do O2 se dilui no plasma do sangue enquanto o restante do O2
se liga quimicamente às células hemáceas.
Neste mesmo tempo o Gás Carbônico (CO2) que já
está ligado quimicamente à hemácea se desprende
e passa do sangue para o ar, onde no relaxamento do diafragma
é liberado para o ambiente. O O2 que se ligou à
hemácea percorre o corpo até os nossos órgãos
e tecidos onde é "trocado" por mais CO2.
Esse processo é vital para o nosso corpo, pois esse O2
possibilita o funcionamento do metabolismo celular, mantendo
o nosso corpo vivo.
O que pode ser perigoso neste processo?
Se
estivermos fora d'água, praticamente nada. Mas no mergulho,
o ambiente muda e as regras passam a ser mais complexas.
Para entender isto vamos analisar a influência da pressão
durante um mergulho:
- Ao nível da superfície respiramos ar. Neste
ar temos 21% de O2. Em todas as nossas respirações
devemos sempre encher confortavelmente os pulmões de
ar.
-
A 10 m de profundidade, temos uma pressão de 2atm e,
como aprendemos em nosso curso básico de mergulho o ar
se comprime à razão inversa da pressão
nele exercida, ou seja, se no nosso pulmão cabem 4L de
ar na superfície, aos 10m caberão também
4 L de ar, só que com o dobro de moléculas, tanto
de O2 como dos outros gases ( N2 ).Então teremos o dobro
da quantidade de moléculas de O2. Como o N2 é
inerte seria como se tivéssemos o dobro da porcentagem
de O2. A essa porcentagem pseudo aumentada chamamos de pressão
parcial.
A
pressão parcial do O2 (PPO2) em um gás respirável
não pode ser menor do que 0,16 ATA, pois neste caso teríamos
menos O2 do que precisamos para respirar, e não pode
ser maior do que 1,6 ATA, que tornaria o O2 tóxico para
nós humanos.
Por segurança, nós mergulhadores mantemos este
1,6 ATA de O2 como limite máximo de contingência,
ou seja de reserva, o ideal seria manter sempre este limite
abaixo de 1,4 ATA, considerado o limite máximo para uso
durante nossos mergulhos.
Quando o Oxigênio intoxica?
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Duas marcas de analisadores de oxigênio
disponíveis no mercado: Analytical Industries (dir.)
e Dive Rite (esq.). |
A
intoxicação por O2 é um fenômeno
que depende tanto da pressão parcial quanto do tempo
de exposição ao O2. Existe um limite de tempo
que o nosso organismo tolera o oxigênio sem que ocorra
este fenômeno. Passado este tempo, o corpo está
sujeito a sofrer estes efeitos, e quanto maior for a PPO2 menor
é este tempo. Estes limites são definidos por
tabelas de exposição a O2.
O que é afetado por esta intoxicação? Os
principais alvos desta intoxicação são
o pulmão ( Efeito Lorraine Smith ) e o sistema nervoso
central ( Efeito Paul Bert ).
Efeito Lorraine Smith
Os nossos alvéolos pulmonares são revestidos internamente
por uma substância sulfactante. Esta substância
impede que os alvéolos grudem por dentro, como bexigas
velhas ( colabamento ), impedindo a respiração.
A exposição prolongada ao O2, remove esse sulfactante
possibilitando o colabamento dos alvéolos prejudicando
a troca gasosa. Os sintoma deste efeito são dificuldade
respiratória, dor no peito e tosse.
Este efeito é muito raro em mergulhadores, pois os tempos
de tolerância a este efeito são muito altos, superiores
aos tempos de mergulho normalmente feitos, mesmo em mergulhos
técnicos.
Para controlar a ocorrência deste efeito existem tabelas
que informam a relação de exposição
ao O2.
Efeito Paul Bert
Altas pressões parciais de O2 causam alterações metabólicas
nos neurônios do nosso corpo, causando distúrbios que podem
por em risco a segurança do nosso mergulho. Os distúrbios mais
freqüentes costumam ser lembrados pelo acrônimo CONVANTIT:
CONvulsão, Distúrbios Visuais, Distúrbios
Auditivos, Náuseas, Tonturas, Irritabilidade
e Tremores.
Esses sintomas podem acontecer sem aviso prévio e não
acontecem numa ordem determinada, o mergulhador pode apresentar
um ou alguns destes efeitos ou mesmo não apresentar efeito
nenhum, não dá para ter certeza que vai ocorrer
ou se vai ocorrer. O que nós devemos ter certeza é
que pode ocorrer se extrapolarmos o limite da pressão
parcial de O2. A convulsão é o efeito mais divulgado
da intoxicação do CNS, e em si não causaria
nenhum problema maior, se em um mergulho não levasse
ao afogamento.
Em mergulhos não descompressivos é muito difícil
que os limites de tolerância ao O2 para o CNS sejam excedidos.
Já em mergulhos descompressivos, onde se usa misturas
ricas em O2 por tempos prolongados são necessários
cálculos usando tabelas específicas para se evitar
estes sintomas.
Mergulhando com segurança
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Curso de oxygen provider, oferecido
pela
Divers Alert Network
Foto: Butch Userv, Duke Medical
photography |
Se
nós sempre mergulharmos dentro dos nossos limites de
treinamento, conforto e físicos, não haveriam
acidentes de mergulho, então antes de sair por aí
mergulhando com misturas diferentes do ar é bom procurarmos
nossas escolas de mergulho e fazer cursos.
Para mergulhos recreacionais basta fazer um curso de Nitrox
Básico, onde tomaremos conhecimento sobre os conceitos
básicos do efeito Paul Bert e aprenderemos como evitar
a sua ocorrência.
Para os que querem mais (mais tempo de fundo, mais profundidade,
mais dificuldades), as agências de mergulho técnico
oferecem cursos de mergulhos descompressivos nos mais diversos
níveis e formatos.
E a narcose, como fica nesta?
Vamos pensar juntos:
- A narcose por nitrogênio é causada pelo nitrogênio.
- As misturas Nitrox tem mais de 21% de O2.
Portanto nas misturas Nitrox temos menos nitrogênio.
Então podemos concluir que as misturas Nitrox são
menos narcóticas que o ar, certo?
ERRADO: o Oxigênio é tão narcótico
quanto o nitrogênio, o que faz do Nitrox uma mistura tão
narcótica quanto o ar. Então os mesmos cuidados
devem ser tomados (ver edição nº3 do WET),
ok?
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