Naufrágios
famosos
O
Intrigante Elihu B. Washburne
Navio
de guerra é torpedeado na costa brasileira durante a
segunda guerra mundial.
Por:
Aldo
Monteiro
Edição:
Mathias
Carvalho
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Um Liberty Ship em ação |
Qualquer
navio de guerra naufragado mexe muito com a imaginação
de todo mergulhador. Principalmente se o mergulhador for brasileiro.
A razão é simples. O Brasil, país de índole
pacífica, raramente se envolveu seriamente em uma guerra
de âmbito internacional. Isso faz com que a nossa indústria
bélica nem de longe possa se comparar com as das super
potências. Daí o atrativo particular que o naufrágio
de uma nave de guerra, sobretudo se for estrangeira, suscita
na nossa comunidade. Talvez pelo seu porte, pelas suas armas
e equipamentos ou simplesmente pela sua história.
Uma dessas raridades é o navio da classe Liberty Ship,
de bandeira americana, o Elihu B. Washburne. Convém explicar
que os navios dessa classe foram apelidados de "cargueiros
da vitória" pois, numa fase da Segunda Guerra em
que os U-Boats alemães reinavam soberanos nos mares,
o projeto Liberty Ship iria inverter definitivamente essa relação
de forças a partir de 1943.
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Ó congressista |
Utilizados
basicamente para o transporte de materiais e víveres
destinados à reposição de perdas de guerra,
esses navios de 130 metros eram o fruto do trabalho árduo
e milhares de homens e mulheres, que se revezavam dia e noite
em gigantescos estaleiros nas costas leste e oeste americanas.
Mais de 2.700 Liberty Ships foram construídos em menos
de três anos.
O
Elihu B. Washburne, batizado com o nome de um congressista americano
(1816-1887) localiza-se na costa de São Paulo entre a
Laje de Santos e a Ilha de Alcatrazes, naufragado provavelmente
pelo submarino alemão U-513
(acesse nossa matéria e saiba mais), em 03 de julho de
1943. Ele foi encontrado entre 44 e 66 metros de profundidade.
Johnny, um experiente mergulhador técnico que participou
da equipe de reconhecimento do naufrágio, gentilmente
concedeu uma entrevista para a WET e nos explica como foi a
expedição:
WET:
Como
foi a expedição? Quem estava na equipe, como estavam
as condições do mar (visibilidade, correntes,
profundidade) ?
Johnny: A viagem foi muito boa .Estávamos nela eu
(Johnny), o Luizão Aquadive, Sérgio Lobo, Lelis
Couto, Paulo Tessarollo (Tessa), Daniel Romio, Boas Teixeira,
Dino Aragão e o Eduardo Davidivich (Doc) . As condições
estavam regulares , pois havia muita onda grande. Porém
não havia corrente, e a visibilidade - até os
50 m de profundidade - estava de 30 m. e depois abaixava para
incríveis 3 m , o que foi muito bom .A profundidade total
era de 66 m.
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Um outro Liberty Ship, o SS John W. Brown |
WET:
Foi
demorado achar o naufrágio? Foi com side scan? Como estavam
as condições da estrutura?
J: Não. Perdemos apenas 30 min para fundear e não
usamos side scan, usamos sim uma "garateía scan".
Normal. Ele é um naufrágio semi-desmantelado que
proporcionou um mergulho muito seguro. Temos algumas imagens
captadas pelo Tessa, porém em vídeo.
WET:
Quando
foi encontrado o naufrágio, houve uma certa confusão
na identificação, inicialmente pensou-se ser o
Campos (revisado depois). Por quê? Não haviam sido
encontradas referências do nome no casco?
J: Ao que me consta, ele foi achado em meados de 97 por pescadores
que perderam sua redes enroscadas nele. O primeiro a mergulhar
nele foi o Gilberto Menezes (Gil), depois disso o Sérgio
Lobo fez alguns mergulhos junto com Afonso, João Paulo,
Maurício Andrade, Gustavo Salum, Akira .Ele ainda não
está identificado, assim como o Campos também
não foi. Ainda não se achou nada que realmente
confirmasse qual é qual.
WET:
Trata-se
de um Liberty Ship. Uma estrutura muito grande. Deve ter sido
dificil mapear, desenhar e explorar a estrutura. Isso já
foi concluído? Ou ainda se está "descobrindo"
o naufrágio?
J: Com relação a mapeamento, eu não
fiz nenhum e não sei se há alguma equipe fazendo.
Sei que é um barco muito grande, pois com 30 min de fundo
acho que não fiz 1/5 dele. Pode-se dizer que ainda o
estamos descobrindo.
WET:
Você
pretende voltar lá?
J: Sim, porém temos certas dificuldades em fazer esse
mergulho, pois a condição de mar nem sempre é
favorável.
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