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Técnicas e equipamentos

"Deixe de ser enrolado"

Saiba tudo sobre a última palavra em cabos e carretilhas.

Por: Robert N. Rossier
Edição: Mathias Carvalho
Tradução: Johanna Freire de Carvalho
Aprovação final: Patricia Caetano; Departamento Internacional - DAN


Mergulhador utilizando carretilha
Uma das experiências mais frustrantes e difíceis para um mergulhador é a tentativa de manusear um cabo embaixo d'água, e, até mesmo a simples incumbência de manipular o cabo de uma bóia de sinalização, pode ser uma tarefa difícil, principalmente para um mergulhador inexperiente. Não importa o que se faça, os cabos têm a incorrigível tendência de se emaranhar e enrolar.

Por muitas vezes um mergulhador vai se encontrar laçado pelo seu próprio cabo, e vai necessitar, com urgência, da ajuda de seu dupla para desfazer o nó. Felizmente, os fabricantes de equipamentos de mergulho detectaram o problema e um grande número de artefatos estão à disposição para ajudar a impedir que os mergulhadores tenham contratempos.

Existem dois únicos componentes, independentes e primordiais, em qualquer artefato destinados à manipulação de cabos: o próprio cabo e a carretilha, ou mecanismo onde o primeiro é armazenado e manuseado. Ambos devem estar em conformidade com a tarefa em mãos e objetivo do mergulho.

A solução comum

Todo mergulhador que sai de terra firme para submergir nas profundezas, sabe da necessidade de uma bóia de sinalização e uma bandeira para alertar sua presença àqueles à tona garantindo, assim, sua segurança. São necessários um cabo amarrado à bóia e algum tipo de dispositivo para manuseá-lo, a fim de, eficientemente, manipular o cabo à medida que ascendemos ou descendemos durante o mergulho. Provavelmente, o tipo de artefato mais comumente encontrado tem formato de um carretel achatado, feito de plástico ou alumínio, enrolado pelo cabo de polipropileno (o mais típico).

Diferentes modelos, diferentes fabricantes
O carretel tem mecanismos para enganchar ou prender o cabo, uma vez que o comprimento deste tenha sido compensado. Enquanto o dispositivo é relativamente simples e barato, não é o único disponível, para praticantes do mergulho, no mercado para manipular a diversidade de cabos, úteis ao mergulhador. Na realidade, um grande número de cabos e artefatos para manipulá-los chegam às mãos dos praticantes deste esporte.

Qual o cabo certo para mim?

Cabos utilizados por mergulhadores chegam com uma notável variedade de materiais e tamanhos. A escolha destas duas características depende do objetivo específico do mergulho. Entre os materiais mais comuns, estão o sisal (fibra natural) e os sintéticos, como o nylon, poliéster e polipropileno. Cada um destes materiais tem características que otimizam usos específicos.

Diâmetro


O tamanho dos cabos é, normalmente, definidos por diâmetro (polegadas ou milímetros), ou por uma numeração de fábrica. A indústria se refere aos cabos com até 3/8 de polegada por cabo fino ("cord" ou "twine"), e àqueles superiores a 3/8 por cabo grosso ("rope"). Dobrando o diâmetro de um cabo, aumenta-se quatro vezes sua força (a área da seção transversal aumenta com o quadrado do diâmetro). A força de novos cabos, especialmente daqueles feitos com material sintético, freqüentemente, supera as necessidades do mergulhador. Entretanto, o desgaste de um cabo pode ser uma boa razão para a seleção de cabos de maior diâmetro.

Cabos mais grossos fornecem um certo grau de proteção, referente à resistência a talhos e cortes. O mesmo talho irá reduzir a força de um cabo grosso muito menos que um talho em um cabo fino (veja quadro "características típicas dos cabos"). As características de manipulação são, constantemente, muito mais críticas do que a sua força por si só, e podem auxiliar na determinação da espessura necessária do cabo. Até certo ponto, um cabo mais grosso é mais facilmente manipulável, particularmente quando o mergulhador estiver utilizando luvas, de dedo ou com separação apenas para o polegar ("mitts"). Mergulhadores de mares glaciais usam cabos de diâmetros relativamente maiores como cabos de segurança.

Em contrapartida, utilizar um cabo mais grosso requer uma carretilha maior, ou dispositivo de manipulação, para um mesmo comprimento, quando comparado a um cabo menor. Os efeitos de flutuação são aumentados, a carretilha (ou dispositivo) pode ser mais volumoso, pesado e desajeitado. Já que força não é um problema, mergulhadores de naufrágios e cavernas, freqüentemente, utilizam diâmetros menores quando um cabo de maior comprimento se faz necessário.

Construção

A maneira com que os cabos são construídos pode ter a mesma importância de seu material. Seriam necessárias muitas páginas para descrever, de maneira adequada, os inúmeros detalhes da fabricação de cabos. É suficiente mencionar que existem três tipos básicos:

- torcidos, formados por fibras ou filamentos torcidos conjuntamente;

- trançados;

- revestidos, que tem fibras ou filamentos interiores com um revestimento protetor;

Cabos torcidos têm, com freqüência, um arranjo permanente, o que pode torná-los menos flexíveis e manipuláveis. O acabamento arredondado tende a desgastar mais facilmente, tornando-os mais suscetíveis a talhos e cortes.

Cabos trançados, apesar de um pouco mais caros, são mais fáceis de manusear e, tipicamente, têm maior resistência ao desgaste. O perfil macio, de corte transversal dos cabos trançados, os tornam menos predispostos ao rompimento e danos quando puxados sobre rochas cortantes, ou fragmentos pontiagudo.

Cabos revestidos, também conhecidos como "kernmantle", são, também, mais onerosos; porém, altamente resistentes ao desgaste.

Colocando os cabos nas carretilhas

Talvez o dispositivo mais prático para manipular cabos seja a carretilha; uma típica consiste de três componentes principais:
Estrutura de uma carretilha

- a armação;

- um carretel;

- uma trava, ou conjunto de fechos;

A armação forma uma alça e contém uma haste onde encaixa o carretel. A trava, ou conjunto de fechos, evita a rotação do carretel, quando este não está sendo utilizado, ou quando a rotação não é desejada.

As necessidades geradas por comunidades de mergulhadores, de cavernas e naufrágios, impulsionaram o desenvolvimento de carretilhas de alta qualidade. As carretilhas modernas, para mergulhar nestes ambientes, têm armação de alumínio, ou aço inoxidável, com todos os encaixes em aço inoxidável.

Carretéis são, tipicamente, feitos de materiais como policarbonato moldado ou delrin tm prensado. Os diversos mecanismos de fecho e trava projetados por diferentes fabricantes incorporam uma diversidade de componentes de nylon, plástico e aço inoxidável.

Aplicações

O que distingue os carretéis destinados a várias aplicações são suas caracteristicas específicas. Para mergulho em caverna, o cabo é utilizado, principalmente, como meio de navegação, para indicar o caminho de volta de um sistema de túneis, potencialmente complexo, em águas de visibilidade zero. Estes mergulhadores buscam, comumente, uma carretilha muito simples, de modelo bem leve que não tende a emperrar, e que possa ser facilmente manipulada e ajustada enquanto submersos. Algumas são tão simples como um carretel capaz de ser levada em mãos e sem armação.

Para mergulhadores de naufrágios


Mergulhadores de naufrágios também utilizam o cabo como guia, porém as carretilhas e cabos, freqüentemente, são mais maltratados do que aqueles usados em cavernas. Por que mergulhadores dessa modalidade podem puxar a si próprios para fora de um naufrágio utilizando o cabo e a carretilha, submetendo- o a abrasões e cortes por cantos afiados ou outras saliências. O cabo e a carretilha podem ser usados para resgatar algum artefato ou como um cabo de emergência para subir. Por estas razões, aqueles que mergulham em tal ambiente, normalmente, preferem cabos com maiores diâmetros e carretilhas para serviços pesados, equipados com trava e dispositivos de fricção.

Para mergulhos em cavernas

Carretilha: auxílio para orientação nos mergulhos em cavernas
Pessoas que mergulham em cavernas preferem mais os carretéis que giram soltas, do que aqueles que dão um certo grau de fricção para impedir um repuxo. Os carretéis, entretanto, podem continuar a girar dando cabo além co necessário. Isto pode causar danos ou, mais popularmente conhecido, o "ninho de pássaros", um emaranhado de cabo que lembra um ninho. Mergulhadores de cavernas são treinados para friccionar suficientemente o cabo, com o dedo posicionado sobre a carretilha, para impedir uma folga e, perceber qualquer arrasto do cabo.

Para mergulhadores recreativos


Um erro comum entre os mergulhadores é acharem que o uso de carretilhas se aplica, apenas, em domínios de cavernas, grutas, naufrágios, gelo e em outras especialidades em mergulhos ditos técnicos. A verdade é que uma carretilha de qualidade pode aumentar o conforto e a segurança no desempenho do esporte, bem como do seu comércio. Em muitas situações de mergulho em mar aberto, a dupla cabo e carretilha, podem melhorar a segurança propiciando um meio infalível de navegar para ou pontos de saída ou de ascensão intencionais. Isto pode ser especialmente importante quando mergulhando em pouca visibilidade, ou utilizando clipes de lastro descartáveis em profundidade para controlar a flutuação. As carretilhas podem ser utilizadas na condução de padrões de busca, distribuição de sacos elevatórios e bóia, e para medir distâncias para pesquisa e mapeamento submarinos.

Mergulhadores de mar aberto, com freqüência, têm diferentes exigências quanto a cabos e artefatos para manipula-los. Estas exigências são embasadas na enorme diversidade do seu potencial de utilização. Enquanto um mergulhador de caverna prefere cabos de nylon trançados, um outro cabo flutuável feito de polipropileno pode ser escolhido por aqueles que mergulham em mar aberto, para impedir o emaranhamento e danos em corais.

Mecanismos de fricção e trava podem ser desejáveis para facilitar o uso da carretilha e para reduzir sua propensão a repuxos e formação de ninhos. O tamanho e o peso podem não ser de tanta importância como para se mergulhar em cavernas ou naufrágios.

A carretilha de jersey

Preparação para descompressão
com carretilha
Esta é outro tipo de carretilha. Ela consiste de um carretel de metal, de aproximadamente seis ou oito polegadas de diâmetro por 18 polegadas de largura, sobre um eixo com uma alça de cada lado. Sobre a carretilha corre um cabo de sisal de 5/16 polegadas de comprimento, ligado pela extremidade livre a um saco elevatório para ascensão (comum encontra-lo com capacidade para 100 libras, ou aproximadamente, 45 quilos).

A carretilha de jersey é utilizada, em primeiro lugar, como cabo para subida em emergências (chamado cabo de subida de jersey - "jersey up line") para mergulhadores de naufrágios, e tem capacidade para suportar um mergulhador de grande porte, em condições adversas. Esta carretilha é, normalmente, presa ao cilindro do mergulhador por tiras elásticas.

Quando necessário, o mergulhador pode alcançá-la, remover as tiras e soltá-la. Ele, então, segura suas alças enquanto o saco infla e o levará a superfície. Uma vez lá, o cabo é então preso em local apropriado no naufrágio, e ambos a carretilha e cabo são liberados. Quando o mergulhador vem à tona, ele pode então soltar o saco elevatório cortando o cabo de sisal, que é biodegradável, este irá afundar e lá se decompor (o que leva cerca de um ano), ou pode ser recuperado em um próximo mergulho.

Novas tendências

Ao mesmo tempo em que mergulhadores reconhecem os possíveis usos dos artefatos para a manipulação de cabos, sua popularidade continua a crescer. Já existem mais de seis fabricantes de carretilhas, suas qualidades e traços melhoram a cada ano e eles estão sempre buscando materiais mais fortes e resistentes à corrosão. Uma evolução interessante é um cabo de material luminoso. Após uma breve exposição à luz, estes continuam a brilhar por um período significativo, tornando-os fáceis de encontrar durante a noite, ou quando em baixa visibilidade. O alto custo destes cabos os tornam inacessíveis para a maioria dos praticantes do mergulho, porém, os preços devem baixar com o tempo.

Também estão disponíveis cabos de múltiplas funções e alta tecnologia que foram primeiramente desenvolvidos para os programas espaciais; incluem-se aqueles com sua parte central feita de material condutor para transmissão de informações eletrônicas, o que pode ter seu valor. É fácil imaginar que sejam usados para comunicação de voz com a superfície, ou transmitir informação de navegação de uma unidade de gps atrelado a uma bóia de sinalização.

Difícil é prever qual a tendência que as carretilhas e cabos vão tomar, porém não há dúvida de que os projetistas vão desenvolver produtos novos e melhores, e irão encontrar várias maneiras de utilizá-los

Características típicas dos cabos *

 
Sisal
Nylon
Poliéster
Polipropileno
Força **
360/480
1.000/1.500
850/1.400
1.000/1.200
Resistência à
abrasão
Fraca
Boa
Melhor
Fraca
Elasticidade
Muito baixa
Alta
Média
Baixa
Flutuabilidade
Negativa
Negativa
Negativa
Positiva
Resistência
ao bolor e
apodrecimento
Baixa
Alta
Alta
Alta
Resistência u/v
Alta
Boa
Melhor
Baixa
Resistência química
Baixa
Boa
Boa
Fraca
Uso típico
Subida de
emergência
Caverna /
naufrágio
Pesquisa /
Busca
e resgate
Geral, para
uso em
mar aberto

(** resistência ao rompimento em libras, para cabos de 3/16 polegadas e ¼ polegadas)

Características variam dependendo do tipo de cabo (trançado, torcido, etc.) E de outros fatores ambientais.
Reprodução autorizada: Divers Alert Network

Serviço:


Fabricantes de carretilhas

Aqua explorers
Dive-rite
Extreme exposure
Manta industries
Ocean management systems
Trident diving equipment

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