Naufrágios
famosos
Resgate
em Alto Mar
Fantástica
história sobre o resgate dos tripulantes de um submarino
americano afundado, ocorrido a mais de sessenta anos antes da
tragédia no Kursk.
Por:
Rodrigo
Coluccini
Edição:
Mathias
Carvalho
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O USS Squalus |
O
Submarino se tornou a mais formidável arma marítima
do mundo. Mas sua perfeição foi obtida mediante
um preço : Desastres embaixo d'água foram em certa
época freqüentes e mortais. Servir em um submarino
era chamado "Serviço no caixão".
Esta é a história de um dos mais incríveis
resgates submarinos da história. Nunca homens foram salvos
de um submarino a 73 metros profundidade. Mérito de um
Capitão de Corveta da marinha americana chamado Charles
Momsem.
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O USS Squalus em construção |
Tudo
começou em 23 de Maio de 1939, Portsmouth, litoral da
Nova Inglaterra, EUA. Dia do mais importante teste para o mais
novo e refinado submarino americano : o USS Squalus.
O Squalus é uma revolução no projeto de
submarinos e seu sucesso é vital para a hegemonia do
poderio marítimo americano já que uma guerra se
inicia na Europa. Este submarino e seu irmão gêmeo
, o USS Sculpin, são protótipos para uma frota
de submarinos que os EUA planejavam construir.
Após
17 mergulhos de testes , havia chegado o dia do "Crash
Dive" para o Squalus. O "Crash Dive" é
uma manobra evasiva onde o submarino precisa fechar todas as
escotilhas, passar de Diesel para energia elétrica e
submergir atingindo 15 metros de profundidade em apenas 60 segundos.
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Cartaz do filme, realizado pela NBC, sobre
o acidente |
Se
o teste fosse um sucesso, o USS Squalus iria se juntar à
frota americana baseada em Pearl Harbour, Hawaii.
Às 8 horas da manhã, o teste tem início.
Nas salas de torpedo, na proa e na popa, na sala de controle
e na sala de máquinas a tripulação fecha
todas as escotilhas do submarino.
Em um painel de luzes chamado "Árvore de Natal",
o comandante do Squalus assegura-se que o submarino está
vedado.
Ao
se preparar para a descida, o Squalus leva a esperança
da América por um futuro mais seguro para os tripulantes
de submarino.
Na década de 30, vinte submarinos já haviam naufragado
nas mais diversas partes do mundo, vitimando mais de 700 tripulantes.
Um homem havia dedicado sua carreira para reverter este trágico
legado. Este homem era o Capitão de Corveta Charles E.
Momsem, cuja obsessão era dar um fim aos horrores do
"Serviço no Caixão".
"Swede"
Momsem
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Charles "Swede" Momsem |
A
cruzada de "Swede" Momsem começa em 1925, quando
o submarino S-51 mergulha a 45 metros após colidir com
um navio cargueiro.
Momsem, que era comandante do submarino irmão do S-51
o encontra mas nada pode fazer. A tripulação do
S-51 está encurralada.
Mais tarde , o submarino foi retirado e Momsem estava lá
quando a escotilha foi aberta e revelou uma visão assustadora:
Os corpos de marinheiros que ele conhecia tinham os dedos quebrados
por terem tentado abrir caminho pela escotilha em seus últimos
momentos de vida.
A partir deste trágico acidente, Momsem começa
a trabalhar para que isto não aconteça mais. Ele
era um homem criativo e logo surgiu sua primeira invenção:
Um dispositivo de fuga individual que logo foi batizado de "Pulmão
Momsem".
Não demorou muito para a marinha americana adotar o "pulmão
Momsem". No início, o próprio Momsem ensinaria
o uso deste equipamento aos tripulantes de submarinos.
Logo, os submarinos americanos são equipados com escotilhas
de emergência e os homens são treinados para realizar
subidas de emergência de 30 metros. As escotilhas de emergência,
os pulmões Momsem e outras inovações tornam
o Squalus uma revolução no que se refere a segurança
no serviço de submarinos.
Mas a sombra do "serviço no caixão"
pairava sobre o Squalus.....
O
acidente
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A ponte de comando, onde se encontrava
a "árvore de natal" |
O
Squalus informa sua posição ao Almirantado, mas
um problema na transmissão causa um erro de 9 km sobre
a verdadeira posição do submarino.
A enorme válvula de absorção de ar do motor
a Diesel é a última abertura a ser fechada. Os
motores elétricos movidos por centenas de baterias químicas
são acionados.
Após 60 segundos, o Squalus atinge os 15 metros. O Teste
é um sucesso e o comandante parabeniza a tripulação!
Minutos depois , a ponte de comando recebe um chamado alarmante
: A sala de máquinas está sendo inundada!
O Comandante vai até a "Arvore de Natal" que
mostra que o submarino está vedado, mas os gritos da
tripulação mostram que a verdade é outra.
A
popa do submarino fica inundada. Os motores param e o Squalus
começa a afundar. Um outro problema sério: se
a água do mar atingir as baterias químicas, o
submarino pode partir-se ao meio com a explosão provocada
por 70.000 ampères.
Antes que isto ocorra, o eletricista chefe corta a energia,
evitando a explosão. O Squalus atinge o fundo do mar
a 73 metros de profundidade. Não há luz e a temperatura
chega a 1º Celsius.
É feita a contagem de sobreviventes. São 33 vivos
e 26 mortos. Quase metade da tripulação morreu
antes do Squalus chegar aos 73 metros de profundidade.
Agora a tripulação sabe o que causou o acidente.
A enorme válvula de absorção de ar para
os motores Diesel sofreu uma pane liberando um cataclisma de
água salgada.
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A sala das máquinas - baterias inundadas
produzem gás tóxico |
As
baterias químicas, mesmo estando desligadas, ainda representam
um perigo para a tripulação. A água do
mar entrou em contato com elas e produziu um gás de cloro
mortal que ameaçava os sobreviventes. A circulação
de ar é cortada e o suprimento de ar vem de cilindros
de ar comprimido que só irão durar 3 dias.
Apesar do frio e da profundidade , muitos da tripulação
querem tentar escapar utilizando os pulmões Momsem. O
Comandante nega a possibilidade de fuga dizendo que daquela
profundidade isto era impossível.
Às 10:40, o Comandante da base nota que a comunicação
de rádio do Squalus está uma hora atrasada. São
feitas algumas tentativas de contato com o Squalus mas todas
elas fracassam. Um sentimento de apreensão percorre as
mentes dos oficiais da base de Portsmouth.
Às 11:30, o USS Sculpin sai a procura de seu irmão
desaparecido.
O Comandante do Squalus lança 6 sinais de socorro e uma
bóia de marcação com um telefone.
Temendo o pior, o Almirantado deixa o "Falcon", um
navio de resgate submarino, em alerta geral e ordena que ele
se dirija para o local onde o Squalus fez o ultimo contato.
Por volta das 12:41, após ter procurado na área
errada, o vigia do Sculpin vê um sinal de fumaça
a 9 km de distância de onde estavam. Ele havia localizado
o Squalus.
Neste momento, vários navios da Marinha já estão
na área do acidente. Um rebocador tenta localizar o submarino
utilizando um gancho. Após 4 horas de busca, o cabo do
rebocador fica preso em alguma coisa.
Com a chegada do Falcon ao local do acidente, um mergulhador
é enviado para confirmar se o cabo realmente havia se
prendido ao Squalus e se estava preso próximo a escotilha
de resgate.
Momsem havia estudado durante meses o uso de misturas Trimix
e isto se mostrou muito útil no caso do Squalus, pois
a profundidade que o submarino estava era de 73 metros e este
era o limite da tecnologia do mergulho nos anos 30.
Após alguma espera, o mergulhador da marinha americana
chegou ao fim do cabo e encontrou o Squalus. Por uma incrível
sorte, o gancho havia se prendido próximo a escotilha
de resgate e isto evitou um maior esforço do escafandrista
que já sofria com os efeitos da pressão.
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O resgate do Squalus, após a retirada
dos sobreviventes |
Um
novo cabo foi enviado e conectado a escotilha de emergência.
Agora , um novo dispositivo radical, ainda não aprovado
e projetado por Momsem, seria utilizado para salvar os sobreviventes
a bordo do Squalus. Este dispositivo era uma câmara de
aço de 9 toneladas, auto propulsora por equilíbrio,
que levava 7 tripulantes mais 1 operador.
Na primeira descida, a câmara de resgate levou sopa quente
para a tripulação do submarino. Esta sopa era
o primeiro contato com calor que eles tiveram nas últimas
33 horas.
O Comandante do Squalus escolheu os primeiros homens a serem
resgatados e, entre eles, estavam o civis que participavam do
teste, além do arquiteto naval que desenhara o submarino.
Quando a câmara atingiu a superfície, aqueles homens
se tornaram os primeiros a serem resgatados vivos de tal profundidade.
Na
quarta e última viagem da câmara, o capitão
finalmente abandonou o submarino. Ele foi o último a
subir a bordo para a salvação. No meio do caminho
de retorno da superfície, um problema no cabo impediu
que a câmara fosse içada. Este era um último
aviso sobre os horrores do "Serviço no caixão".
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A torre danificada |
Momsem
enviou um mergulhador para amarrar um outro cabo na câmara
e ela foi finalmente içada. Em Portsmouth , a lista de
sobreviventes foi anunciada. Choro e gritos de alegria se misturavam
entre a multidão.
Mais
tarde , o Squalus foi içado e enviado ao estaleiro para
reparos. Algum tempo depois ele foi novamente testado e aprovado
Juntou-se a frota americana e durante a segunda guerra teve
uma ficha de serviço impecável de serviços
prestados a Marinha dos Estados Unidos.
O episódio do Squalus marcou o desenvolvimento da arquitetura
e da preocupação com a segurança dos tripulantes
da frota submarina americana.
Charles Momsem foi o grande responsável por este processo.
Ele se aposentou como contra-Almirante da Marinha Americana.
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