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Naufrágios famosos

O Edmund Fitzgerald

As diversas explorações a um dos maiores naufrágios dos Grandes Lagos.

Por: Rodrigo Coluccini
Edição: Mathias Carvalho

O "Big Fitz" antes do naufrágio
Os Grandes Lagos da América do Norte : Ontário , Michigan ,Huron e Superior são as maiores e mais importantes extensões de água potável no planeta Terra.

Abaixo da superfície descansa um mundo frio e profundo com tormentas violentas e tempestuosas. Um mundo onde até os navios mais potentes podem ser devorados pela fúria das ondas.

Seis mil navios já se perderam nos Grandes Lagos nos quatro séculos desde que os europeus tocaram em solo americano para realizar comércio. Esta é a história misteriosa da maior destas vítimas: um barco feito de aço para carregar aço.
No entanto, não forte o bastante para suportar os ventos furiosos de Novembro no Lago Superior. Um local que se transformou em túmulo para 29 homens.

A onda provocada no lançamento
O Edmund Fitzgerald ficou pronto em 1950. Possuía 223 metros de comprimento e 40.000 toneladas. Ao ser lançado ao mar, uma grande multidão se aglomerou para assistir aquele enorme navio escorregar gentilmente pela doca seca e flutuar pela primeira vez.

Segundo relatos, foi uma cena incrível e alguns espectadores se exaltaram ao ver o espetáculo. Um homem morreu de ataque cardíaco logo que o "Big Fitz" levantou uma enorme onda. Este fato sombrio causou boatos. As pessoas acharam que o navio carregava um mau agouro.

Mas vários anos se passaram sem incidentes e logo as pessoas esqueceram do ocorrido no dia de lançamento do navio.


O acidente

Os momentos finais da embarcação
Em Novembro de 1975 , o "Big Fitz" iniciou uma nova viagem a partir de Whitefish Point com destino a península superior de Michigan e Canadá e o ponto final seria o Lago Huron.Sua carga era 26.000 toneladas de ferro.

Seu capitão era Ernest McSorley , um veterano de 44 temporadas de navegação nos Grandes Lagos.

Logo atrás do gigante dos Grandes Lagos, seguia um outro cargueiro : o "Arthur Anderson" .Entre os dois navios a distância era de 14,5 km. Por volta das 18:00 hs do dia 9 de Novembro, o capitão do "Big Fitz" e do "Arthur Anderson" trocaram informações sobre o mau tempo que piorava a cada minuto. No final daquela noite os ventos atingiram 97 km de velocidade. A visibilidade não era maior do que 3 km.

Às 3 da tarde do dia seguinte, os ventos continuavam a soprar, só que com mais força ainda : 137 km/h. As ondas atingiram 8 metros de altura. Durante todo este tempo, os dois capitães se comunicavam aflitos , enquanto tentavam suportar aquela terrível tempestade.

Às 18:30, duas enormes ondas, com mais de dez metros cada uma, atingiram o "Arthur Anderson" e, 40 minutos mais tarde, foi recebida a última comunicação via rádio feita pelo "Big Fitz". Logo após esta transmissão, a tripulação voltou a checar a tela do radar mas já não havia mais sinal do enorme navio que os acompanhava. Foram feitas várias tentativas de contato com o "Big Fitz", mas não houve nenhuma resposta.

Um pouco mais tarde a visibilidade começou a melhorar e a Guarda Costeira, o "Arthur Anderson" e o "William Clay Ford" procuraram pelo "Fitz" durante toda a noite, mas só acharam um barco salva-vidas quebrado, coletes salva-vidas e outros destroços e uma enorme mancha de óleo. O "Edmund Fitzgerald" havia desaparecido com todos a bordo.

A causa do naufrágio ainda é um mistério, mas existem teorias sobre o que pode ter acontecido naquela fatídica noite.


Perguntas sem resposta

Croqui do naufrágio
De acordo com um relatório de 50 páginas feito pela Guarda Costeira Americana, o que causou o naufrágio foi uma falha no sistema de fechamento das tampas dos porões. Esta falha pode ter causado um enorme alagamento que levou o navio ao fundo. No entanto, outras pessoas não acham que o mal fechamento das tampas seja o causador da tragédia, pois o peso das tampas é muito grande e, mesmo expostas a uma forte tempestade, dificilmente elas se moveriam.

A segunda teoria seria que o "Edmund Fitzgerald" tenha sofrido uma fissura por stress em seu casco após ser tão castigado pelo mar. Esta fissura pode ter levado o navio ao fundo.

A terceira teoria foi baseada na falta de um pedido de socorro, o que leva a crer que o naufrágio foi uma catástrofe repentina. Esta catástrofe repentina poderia ter sido causada por uma enorme onda que submergiu a proa do navio de uma só vez e causou o naufrágio.

Não demorou muito para que o naufrágio do "Edmund Fitzgerald" se transformasse numa lenda dos Grandes Lagos. O compositor Gordon Lightfoot imortalizou o desastre em uma canção.


As primeiras expedições

Sistema de propulsão do "New Suit"
O naufrágio está localizado no Lago Superior , em águas canadenses distantes 28 km de Whitefish Point, que foi o ponto de partida do "Big Fitz". A profundidade nos destroços é de 162 metros.

Em 1976, a Guarda Costeira filmou o naufrágio pela primeira vez e, alguns anos depois, uma equipe de Jacques Cousteau também foi ao local, ambas utilizando submergíveis.

Em 1994 , um produtor de documentários visitou os destroços utilizando um pequeno submersível. Após o fim de um dos mergulhos a equipe reportou ter visto um corpo na proa do navio. Esta declaração deixou furiosos os parentes das 29 vítimas do naufrágio.

Também em 1994, uma expedição organizada pelo "Harbour Branch Oceanographic Institution de Fort Pierce , realizou vários mergulhos utilizando um submersível. O objetivo era estudar o ecossistema dos Grandes lagos e sua ação em naufrágios.


De roupa nova

A cabine de comando
A mais importante expedição realizada nos destroços do "Edmund Fitzgerald" aconteceu em 1995 e foi incentivada pelos familiares das vitimas do naufrágio. Estas pessoas tinham dois pedidos : O primeiro, que fosse construído um memorial para as vítimas do naufrágio, e o segundo que o naufrágio não deveria mais receber visitantes em respeito aos mortos. Todos os mergulhos teriam que ser proibidos.

Em Julho, uma equipe multi-organizacional, que incluía a National Geographic Society e o Discovery Channel, foi até o naufrágio para recuperar o sino do navio.

Explorando o navio
Por representar a alma da tripulação de um navio, seu sino foi escolhido para ser a atração principal do memorial que estava sendo construído. Um outro sino, forjado especialmente para substituir o original no navio, teve os nomes dos tripulantes gravado e seria colocado assim que o sino original - que pesa 88 kg - fosse retirado.

Para realizar esta tarefa, foi chamado o mergulhador canadense Bruce Fuoco, que utilizou um traje especial pressurizado, feito de alumínio, que resistia à profundidade de até 365 metros. O nome deste traje é "Newtsuit". Durante a empreitada, familiares das vítimas que assistiram a retirada do sino, se emocionaram com as lembranças dos entes queridos.


O final da história...?

Dois meses após a retirada do sino, dois mergulhadores visitaram o naufrágio como parte de um projeto sobre doença descompressiva.

Após dois anos de planejamento , Terry Tysal e Mike Zee realizaram o mergulho a 162 metros de profundidade utilizando misturas Trimix. Eles demoraram 6 minutos para chegar ao fundo e só puderam ficar mais 6 minutos no naufrágio, muito pouco tempo para realizar qualquer exploração de até mesmo uma pequena área do enorme navio. O preço de tão ousado mergulho foi uma descompressão de mais de três horas.

Logo após divulgarem o sucesso do mergulho , Tysal e Zee receberam fortes críticas dos familiares das vítimas do naufrágio. Em uma tentativa de se explicarem , os dois mergulhadores telefonaram para estas pessoas para tentar explicar o que motivou o mergulho. Este ato não foi muito bem recebido.

Depois de Tysal e Zee nenhum outro mergulhador visitou o naufrágio e, se depender dos familiares que perderam seus entes queridos neste terrível acidente, isto não acontecerá mais.

O memorial foi construído e o sino foi a grande atração da inauguração. Após realizada uma missa e expressados agradecimentos, o sino do "Edmund Fitzgerald" tocou 30 vezes: Uma para cada um dos 29 tripulantes do navio e a trigésima em homenagem a todos os homens que pereceram em naufrágios nos Grandes Lagos.


Serviço:


O projeto de recuperação do sino do "Big Fitz"
www.msu.edu

Livros sobre o naufrágio
www.barnesandnoble.com
www.barnesandnoble.com
www.amazon.com
www.amazon.com

Arquivos de àudio da canção
www.corfid.com

Vídeos sobre o naufrágio
www.edmundfitzgerald.com
www.amazon.com
www.amazon.com

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