Livros
"Arqueologia
até de baixo d' água"
Gilson
Rambelli fala sobre seu novo livro.
Por:
Mathias
Carvalho
Gilson
Rambelli, um de nossos pouco arqueólogos submarinos,
lançou seu novo livro - leve, com linguagem acessível,
relata o desenvolvimento deste campo específico, e descreve
detalhes técnicos que são abrangidos pelo pesquisador,
sem que o leitor precise ter um mestrado na área para
apreciar a leitura.
Gilson concedeu uma entrevista para o WET e conta um pouco do
que á a arqueologia submarina no Brasil:
WET:
Como anda esse campo no Brasil?
GR: Trata-se de uma área nova na Arqueologia brasileira,
sem muita divulgação, mas que pouco a pouco vem
se consolidando e conquistando seu espaço. Hoje podemos
dizer que existe Arqueologia subaquática no Brasil, há
uma década atrás essa afirmação
não seria possível.
WET:
Juridicamente, nossos sítios estão em perigo?
GR: Pela Lei atual sim. A Lei 10.166, sancionada no dia 27
de dezembro de 2000, vai na contramão do mundo, contraria
a nossa própria Constituição e põe
em risco esse patrimônio. Infelizmente, existe uma má
compreensão do significado dos sítios arqueológicos
submersos. Muitas pessoas ainda se deixam iludir com as histórias
dos tesouros e esquecem que esses sítios, principalmente
os naufrágios marítimos, são testemunhos
únicos e não renováveis de nosso passado,
são "cápsulas" do tempo que merecem
ser estudadas e não destruídas.
WET:
Quem cuida disso, a Marinha?... e consegue?
GR: Sim, é a Marinha do Brasil a responsável
pela salvaguarda desses sítios arqueológicos.
Diante da dificuldade imposta pela extensão de nossas
águas, ela atua bem. O problema para nós arqueólogos,
é o conceito que ela ainda tem da Arqueologia subaquática
(= técnica de ilustrar a história).
WET:
Somos ricos em naufrágios, ou seja, tem muita coisa para
ser explorada?
GR: Se levarmos em conta nossa relação secular
com a navegação e o tamanho de nosso litoral,
assim como a nossa enorme rede fluvial, torna-se difícil
mensurar o potencial que temos para o desenvolvimento de pesquisas
arqueológicas submersas.
WET:
Qual o impacto da pirataria de artefatos - existe , por trás,
um comércio grande no Brasil?
GR: É triste, mas em pleno século XXI, o mercado
negro de artefatos arqueológicos, inspirado no colecionismo
do século XIX, ainda se faz bastante presente no Brasil.
Cabe ressaltar, que esta prática predatória do
patrimônio cultural, que beneficia alguns poucos em detrimento
de uma maioria, não se limita aos bens submersos.
WET:
Como deve proceder um cidadão "consciente"
ao reportar esta atividade?
GR: Se todo cidadão levar adiante a máxima
de que "ninguém tem o direito de explorar em benefício
próprio algo que não lhe pertence, algo que pertence
à sociedade como um todo", podemos brevemente dar
um basta nessas atitudes isoladas e mesquinhas. Para combatermos
esse descaso com a produção do conhecimento e
para com as gerações futuras, a retirada de objetos
de navios afundados - como suvenires de aventuras e/ou para
serem comercializados - deve ser ridicularizada, recriminada
e não idolatrada, incentivada como a mídia sensacionalista
ainda o faz.
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