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Naufrágios famosos

Scapa Flow

Um pacífico porto natural que se tornou túmulo para dezenas de navios
de guerra.


Por: Rodrigo Coluccini
Edição: Mathias Carvalho

Vista da costa de Scapa Flow - cemitério de navios

Scapa Flow é um porto natural escocês, utilizado desde a era dos Vikings até os dias de hoje. Durante as duas guerras mundiais, foi utilizado como uma importante base britânica no hemisfério norte. Devido a sua excelente posição estratégica, os navios baseados em Scapa Flow podiam partir em missões tanto para o Mar do Norte quanto para o Atlântico Norte.

Desde o século dezenove, tentativas de controlar este porto resultaram em vários naufrágios.

Com uma profundidade média de vinte metros, Scapa Flow oferecia uma ótima opção de ancoragem em águas profundas.


Primeira Grande Guerra

Mergulho no Markgraf - parte da frota alemã

Durante a primeira grande guerra (1914 – 1918), a frota britânica utilizou Scapa Flow como base.Para proteger os navios a
utilizavam ataques inimigos, vinte e um navios foram afundados propositalmente. Esse bloqueio submarino tinha como objetivo manter os u-boats à distância.

Essa medida não evitou que um navio de guerra, o HMS Hampshire, atingisse uma mina em 1916 e afundasse, vitimando o atual ministro da guerra britânico. Dos 665 tripulantes, apenas 12 se salvaram.

A batalha de Jutland foi a maior batalha naval travada na primeira guerra mundial. De um lado a frota de alto mar britânica. Do outro os temidos alemães. Ao final do conflito, os dois lados se julgaram vencedores.

Mas, após esta batalha, a frota alemã não voltou mais ao mar.

O Tabarka, outro grande ponto de mergulho

A guerra chegou ao fim e, após o armistício, setenta e quatro navios de guerra alemães receberam ordens para serem “internados” em Scapa Flow, até que os aliados chegassem a um veredicto sobre o que fazer com a máquina naval de guerra alemã.

Os setenta e quatro navios chegaram a Scapa Flow em dez de Novembro de 1918 e ficaram estacionados por dez meses. Durante este tempo, eles se tornaram uma atração turística local.

Em Junho de 1919, o contra almirante von Reuter , que era o comandante da esquadra em Scapa Flow, sabia que os alemães teriam que aceitar os termos de rendição. Quando a frota britânica partiu para o mar para realizar exercícios, von Reuter ordenou que a frota alemã fosse afundada para não cair em mãos inimigas. Sendo assim, os setenta e quatro navios abriram suas válvulas e afundaram.

A maior parte dos navios foi removida quase que imediatamente. Nos anos vinte, a firma Cox & Douglas iniciou operações de salvatagem, retirando vários navios. Esse trabalho durou até o inicio da Segunda Guerra (1939). Alguns dos navios que “emborcaram” foram preenchidos com ar comprimido e voltaram a flutuar. Alguns estavam em águas muito profundas e eram grandes demais para serem resgatados, como era o caso dos couraçados Konig, Markgraf e o Komprinz Wilhelm, os cruzadores Brummer, Karlsruhe, Dresden e Koln ; pelo menos quatro destróieres permaneceram na baía e, alguns deles, são freqüentemente visitados por mergulhadores de naufrágios.



Segunda Grande Guerra

O Royal Oak, da frota aliada - no detalhe, durante os disparos

No começo da Segunda Guerra, em treze de Outubro de 1939, o navio almirante da esquadra britânica, o HMS Royal Oak, que tinha uma tripulação de mais de mil homens, se aproximou de Scapa Flow.

Dentro do porto, toda a tripulação acreditou que o navio estava seguro, mas nenhum deles contava com a astúcia e habilidade do comandante Gunther Prien, que levou seu u-boat, o U-47, pelo canal próximo à baía e navegou pela superfície para evitar um bloqueio: os navios que foram afundados na primeira guerra.

Prien, no detalhe - almoço com Hitler

A uma da manhã, Prien disparou duas salvas de dois torpedos em direção ao HMS Royal Oak. A lua cheia era sua aliada e entregou de bandeja a localização do enorme navio.

Em quinze minutos, o Royal Oak afundou levando consigo 833 homens.

Gunther Prien retornou à Alemanha como um herói e foi condecorado pelo próprio Hitler.

A marinha britânica afundou mais vinte navios para evitar a ação dos u-boats e Winston Churchill ordenou a construção de outras defesas para Scapa Flow.


Memorial de guerra


Marca do naufrágio

Atualmente uma bóia verde marca o local de repouso do Royal Oak, que hoje é um tratado como um túmulo de guerra. O naufrágio está a 30 metros de profundidade e ainda vaza óleo Diesel de seus tanques.

Dois de seus canhões foram resgatados e equiparam outros dois navios da armada. O sino do navio também foi retirado e se encontra na catedral de St. Magnus, em um monumento em memória à aqueles que morreram no naufrágio. Os restos do torpedo que afundou o navio estão em um museu.

Desde 1980, mergulhadores visitam Scapa Flow para explorar os destroços de oito navios já mapeados. Os visitantes desta área podem visitar os destroços de um u-boat, conhecer alguns dos navios afundados propositalmente para proteger o porto, vários naufrágios de navios britânicos, vários navios da frota alemã de alto mar – que permaneceram no fundo em posição de navegação.

O submarino U-47

Sem dúvida, Scapa Flow é um dos maiores cemitérios de navios do mundo e possui naufrágios em condições e características que só podem ser encontrados ali.

Há algum tempo atrás, ao expressar meu entusiasmo em conhecer o “tesouro” de Scapa Flow, um mergulhador tentou fazer minha cabeça: “Pra que ir a Scapa Flow , se você pode ir a outros cemitérios de navios de guerra com água quente e muito clara?” respondi a ele que todo naufrágio merece ser visitado, se você realmente se considera um mergulhador de naufrágio.


Serviço:

Scapa Flow: endereços e operadoras
www.scapaflow.co.uk
atschool.eduweb.co.uk/jralston/rk/scapa/boats/index.html
www.scapaflowtechnical.com
www.anderson1.demon.co.uk
www.visitorkney.com

Sobre os naufrágios
atschool.eduweb.co.uk
www.sunrisecharters.co.uk
www.divernet.com

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