Naufrágios
famosos
A
história do Whydah
O
mistério que cerca o naufrágio de um verdadeiro
navio pirata.
Por:
Aldo
Monteiro
Edição:
Mathias
Carvalho
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O naufrágio do Whydah - Ilus. Don
Maitz |
Não
poderíamos falar do galeão Whydah e sobre o seu
naufrágio em 26 de abril de 1717, na costa de Wellfleet,
Massachusetts, sem mencionar o nome de seu capitão: o
lendário pirata Sam Bellamy.
Dois anos antes, Bellamy, ou "Black" Bellamy, como
era chamado devido à sua vasta cabeleira negra, ainda
jovem e pobre marujo, estivera no Cabo Cod para procurar parentes.
Lá, ele conheceu Maria Hallett, por quem se apaixonou
e prometeu voltar, trazendo-lhe riquezas e um anel de noivado.
Mas, como cumprir tal promessa? Ele teve a idéia de reunir
alguns homens e partir numa expedição além
da costa da Flórida, para recuperar o tesouro de uma
nau espanhola que afundara no Caribe, carregada com mais de
duas mil arcas cheias de moedas de prata recém-cunhadas.
Encontrou suporte num financiador, o ourives Paulsgrave Williams.
Quando chegaram ao Caribe, tiveram a impressão que quase
todos os marinheiros do mundo haviam tido a mesma idéia.
Sem contar os mergulhadores enviados pelo rei de Espanha, pelo
governador das Bermudas e da Jamaica. Diante do desânimo
da tripulação e da iminência em voltarem
para seus cotidianos de semi-escravidão, Bellamy propôs
e Williams aceitou: a pirataria apresentava-se como a única
solução para suas vidas.
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Modelo do Whydah - Ilus. Don Maitz |
Por
volta de janeiro de 1716, eles haviam juntado forças
com Benjamin Hornigold, um bucaneiro veterano. Hornigold já
tinha em seu currículo o treinamento de um outro marinheiro
famoso: Edward Teach, mais conhecido como Barba Negra.
Mas, diante da recusa de Teach a atacar navios ingleses, a tripulação
o depôs e colocou Bellamy em seu lugar.
Em
pouco mais de um ano, eles haviam capturado mais de cinquenta
navios, trocando sempre as embarcações que possuíam
por aquelas que eram mais novas ou mais bem construídas.
Assim, Bellamy capturou o Whydah - que fora lançado em
serviço como mercador de escravos - no final de sua viagem
inaugural, levando marfim, acúcar, anil e casca de cinchona,
além de ouro e milhares de moedas de prata. Ele acrescentou
ainda canhões e reparos de canhões de rodízio,
deixando o navio com 28 armas de fogo, e depois retirou o forro
de chumbo em volta do casco para aumentar-lhe a velocidade.
Era o maior navio que um pirata jamais comandara.
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Capturando o Whydah - Ilus. Don Maitz |
Sua
tripulação dividia-se agora entre três navios:
o Whydah, a chalupa Mary Ann, comandada por Williams e o Anne,
um navio quadrado de dois mastros e noventa toleladas, comandado
por Richard Noland, contramestre de Bellamy.
Provavelmente com a intenção de buscar Maria Hallett,
os três navios de Bellamy dirigiram-se para a costa leste
dos Estados Unidos e enfrentaram uma frente ártica que
descia de leste, nordeste numa rota de colisão com o
vento tropical quente e úmido da corrente do golfo. O
resultado: neblina, vento e chuva movendo horizontalmente ao
nível do mar e, conforme a frente puxasse o ar para cima,
uma violenta tempestade. Bellamy estava navegando para o que
se chama de nordestia.
Presume-se que ventos de mais de cem quilômetros e ondas
de dez a quinze metros de altura tenham engolido primeiramente
o Mary Ann, em seguida o Anne e finalmente o Whydah. Cento e
oitenta homens pereceram. Apenas dez homens do Mary Ann e dois
do Whydah sobreviveram: o piloto indiano John Julian e o carpinteiro
Thomas Davis.
Barry
Clifford e o Whydah
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Pesquisa com magnetômetro |
Barry
Clifford, mergulhador e pesquisador, foi quem conseguiu resgatar
mais de cem mil artefatos do Whyda depois de intrincada batalha
judicial.
A um custo de seis milhões de dólares e dez anos
de pesquisa, Clifford entrou para história como o responsável
pela única identificação e resgate de um
navio pirata até agora. Os resultados de sua expedição
levaram à criação do Museu Whydah, um museu
interativo de vanguarda, um documentário pela National
Geographic e um livro, O Príncipe Pirata (crítica
em nosso próximo número), em que é feita
a narrativa de toda a história do Whydah e seu resgate.
Após 270 anos num fundo arenoso de dez metros, o Whydah
ainda reservaria uma última surpresa aos pesquisadores.
O navio, como outros na época, havia sido batizado em
alusão ao seu principal ponto de escala - nesse caso,
Ouida, uma comunidade costeira que serviu como porto escravo,
hoje Benin, na África Ocidental.
Na maior parte dos documentos históricos a grafia do
nome do navio era "Whidah". Logo, todos os documentos
legais e o material da tripulação de Clifford
eram grafados assim.
Somente quando o sino do navio foi recuperado, eles puderam
ler a inscrição:
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THE
+ WHYDAH + GALLY + 1716
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