Técnicas
e equipamentos
Descobrindo
Sonhos
Os
métodos e engenhosidade para descobrir naufrágios.
Por:
Paulo
Gorab
Edição:
Mathias
Carvalho
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O Príncipe das Astúrias,
antes de naufragar |
Um
naufrágio. Esse é o objetivo e o sonho de provavelmente
todos aqueles que lêem esse texto agora. Achar um naufrágio,
principalmente acompanhado de todos os opcionais possíveis,
como um baú do tesouro, um casco intacto, nunca antes
pirateado e que permita exploração completa, e
à profundidade razoável, é praticamente
um sonho de consumo. Quem nunca ficou com os olhos brilhantes
e arregalados diante de filmes onde o mergulhador caia na água
e após 10 segundos de mergulho (ok, estamos falando do
tempo de televisão), vislumbrava todo o pacote completo
descrito acima? Pois achar um naufrágio é muito
menos fácil, mais trabalhoso, demorado e suado do que
se alardeia por aí. E muito mais recompensador e glamuroso
também.
Existe, no mundo real, algumas maneiras de pesquisar e, com
alguma sorte e dinheiro (pelo menos para o diesel), ter sucesso
na empreitada. Podemos classificar os métodos em dois
grupos: aqueles que dependem menos de tecnologia, um pouco mais
baratos, e outros mais "high techs", com o uso de
equipamentos caros, mas nem por isso mais fáceis. Se
o leitor já se decidiu pelo primeiro tipo, não
se entusiasme tanto assim: normalmente o resultado advém
da mescla de métodos dos dois tipos. Em resumo: muito
suor, investimento, estudo e tecnologia, ingredientes dosados
ao gosto, tempo e bolso do aventureiro.
Uma boa conversa de cais
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Relatos controversos - o desafio do pesquisador |
É
o começo de todo método de busca de naufrágio.
Muitas vezes, conversando com pescadores locais, aparece a informação
de um ponto no mar que todos evitam, já que existe um
histórico de redes e linhadas que sempre se prendem no
mesmo lugar. Algumas vezes nossos informantes inclusive conseguem
localizar esse ponto com boa precisão -- já que
precisam evitá-lo para não perder seu equipamento.
É isso mesmo. O mostro devorador de redes nada mais é
do que um naufrágio, provavelmente inexplorado e não
identificado. E coberto de redes e linhadas.
Outras vezes tem-se informações passadas no boca-a-boca,
relatando um naufrágio em alguma região, mas as
informações não são tão precisas.
Ou, de outro modo, as informações são obtidas
em documentos, como jornais de época, relatos em documentos
da marinha e informações sobre rotas de navios
mercantes. Cruzando essas informações com cartas
náuticas, informações de condições
de mar e corrente da época, é possível
demarcar uma área provável onde o naufrágio
se localiza. Desnecessário dizer que essa pesquisa documental
pode ser vastíssima, demandar alguns anos e viagens para
as mais longínquas e empoeiradas bibliotecas.
Uma vez determinada a região onde existe alguma chance
de realizarmos nosso sonho, ainda falta muito chão --
ou melhor -- muitas milhas náuticas -- até o mergulho
tão esperado. O próximo passo, com nada de tecnologia
e muito de paciência, é apalpar o fundo do mar,
usando um método primitivo e eficiente: a garatéia.
Basta uma boa quantidade de cabo, amarrado a uma garatéia,
aquele gancho triplo que muitos pescadores usam como âncoras,
e sair arrastando o mecanismo através da área
provável do naufrágio, sempre tomando cuidado
para não deixar de garatear nenhum pedaço da área,
afinal justamente lá pode estar nosso objetivo. Após
muitas milhas, quando nosso equipamento se enroscar em algo
no fundo, é hora de cair na água e conferir. Se
as correntes, a visibilidade e a profundidade permitirem, sem
falar no preparo e equipamento dos mergulhadores presentes na
expedição. Quem sabe não haverá
um baú do tesouro esperando por você? Se não
houver, não se preocupe: no próximo número
falaremos de métodos de pesquisa de naufrágios
mais "high tech" e sua sorte pode mudar!
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