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Livros

"Naufrágios e Afundamentos - Costa do Brasil, 1503 a 1995 "

Obra de autoridade brasileira sobre arqueologia submarina está na sua segunda edição.

Por: Mathias Carvalho

Professor Goes
O professor José Goes de Araujo, um senhor muito discreto e simpático ao telefone, não deixa transparecer o peso de seu conhecimento nem de sua posição no IGHB, (Instituto de Geografia e História da Bahia), do qual é diretor e autoridade local em naufrágios.

Prestes a ser lançado, em sua segunda edição, a obra do professor Goes já é reconhecida e comentada em diversas fontes do assunto, leitura recomendada por todas.

Nesta nova versão, o professor acrescenta pontos de interesse ao livro e descreve um naufrágio importante, o Santa Clara (1573, praia do Arembepe - BA).

O professor, para nosso deleite, concordou em responder algumas perguntas sobre o seu livro, a arqueologia no Brasil e sua carreira:

WET: Como o senhor vê a pesquisa arqueológica submarina, no Brasil? Em relação ao exterior, estamos bem colocados ou deixamos a desejar?
PJG: Praticamente inexistente, devido a falta de recursos humanos técnicos, financeiros, materiais e de equipamentos, para exploração "in loco", embora existam a disposição do pesquisador, centenas de milhares de documentos no acervo do Arquivo Nacional, Arquivo do E. da Bahia e outros, além dos que estão ao alcance dos interessados no S. D. Marinha do Brasil e nos Institutos Históricos.

Em relação ao exterior, a diferença é tão grande que não podemos comparar.

Raramente, no Brasil são feitos trabalhos com base científica, como os executados pela Marinha do Brasil nos sítios "Galeão Sacramento" e "N. S. do Rosário" ambos na Baía de Todos os Santos.

Aqui, os laboratórios dos Institutos da UFBA dispõe de técnicos e equipamentos para análises diversas, tais como identificação e datação de corais, madeiras, composição química de materiais, etc.

O problema é a pesquisa do sítio.


WET: Qual o papel de nossos exploradores? Quem são pessoas que se destacam, no Brasil, neste campo?
PJG: Só conheço um arqueologista submarino portanto não posso comparar com outros.

WET: Qual o perigo de estragos existente para sítios arqueológicos brasileiros? Qual o papel da Marinha nestes assuntos?
PJG: Os danos causados aos sítios de naufrágios são irreversíveis e a Marinha não tem a sua disposição recursos para fiscalizar e coibir a pirataria.

A primeira edição da obra
WET: Fale-nos de seu livro. Quais as novidades da segunda edição?
PJG: A nova edição, aumentada e ampliada, contém uma listagem em ordem alfabética dos naufrágios na costa do Brasil, alguns no Uruguai e Guianas e a citação de tragédias com navios brasileiros nos mares do mundo.

A segunda parte fornece uma série de dados para ajudar a identificação dos restos do naufrágio, pretendendo dar uma noção que relacione - em linhas gerais -a forma construtiva, os materiais, equipamentos náuticos, armas, motores, etc, com a época da construção.

A terceira parte é sobre a nau "Sta. Clara".


WET: Fale um pouco do senhor; de onde teve inspiração para tornar-se um estudioso, como foi e é sua carreira, quais seus objetivos futuros?


PJG: Minha formação é de Engenharia. Diplomei-me em Engenharia Química e dois anos depois voltei à Universidade e fiz o curso de Engenharia Cívil. Fiz curso de especialização na Inglaterra e na volta, quando a Petrobrás resolveu especializar novos engenheiros, assessorada pela U. Stanford e o ITA, escolheram professores para os cursos e fui um deles.

Aposentei-me da Petrobrás e da Politécnica da UFBA em 1983. Para ter uma ocupação, fundei uma firma de consultoria. Fiz muitas palestras no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e na Bahia. Em 1994, resolvi parar e não consegui.

O mar sempre me atraiu e assim fui pesquisar sobre naufrágios no IGHB e acabaram me convidando para a Diretoria.


A nau Santa Clara

Réplica - nau do século XVI
A Nau portuguesa Santa Clara fazia parte da carreira das Índias, de onde partiu acompanhada de outras duas. Na altura do Cabo da Boa Esperança, nos piores mares do mundo (Roaring Forties) transferiram os viajantes e carga das naus acompanhantes que estavam na iminência de naufragar e a que sobrou, a Santa Clara, aproou para a Bahia. Seu capitão era Luís de Alter.

De Salvador partiu com 676 pessoas a bordo mas veio a naufragar, horas depois, nos recifes de Arembepe.

Possuía um tesouro avaliado, atualmente, em mais de US$ 200 milhões. O grande historiador Pedro Calmon narra a corrida do ouro dos habitantes de Salvador quando souberam da notícia. Muitos bens e cadáveres estavam espalhados pela praia, pois somente 6 pessoas escaparam.

Foi a maior carga de riquezas (ouro, jóias, porcelanas, etc.) transportada por uma nau da Carreia das Índias, que naufragou abaixo da linha do Equador
.

Agradecimentos: Cláudio Guardabassi
 

Serviço:


Autor: Professor José Goes de Araujo
Editora: IGHB
www.ighb.org.br

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