Filmes
"O
Navio Fantasma"
Terrorzinho
manjado, mas carregado no sal.
Por:
Mathias
Carvalho
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Quem
não curte uma história de terror? E quem não
conhece a manjada fórmula, instituída na literatura
por Edgar A. Poe (ele, pelos menos, sabia fazer isso com maestria):
grupo vai até local assombrado - grupo não sabe
em que se meteu até que mortes ocorre - grupo enfrenta
assombrações - todos morrem menos a) mocinho
ou mocinha b) mocinha heroína c) mocinho herói
e ajudante.
Lembram-se de todas as mansões assombradas que vocês
já viram na vida, em qualquer filme? Em " O Navio
Fantasma", a única diferença é que
essa flutua. O resto é igualzinho. A única vantagem
de se gastar numa entrada de cinema para ver essa bomba é
apreciar o excelente trabalho visual e efeitos especiais criados,
reconstituindo um navio que mais parece ter emergido após
passar uma eternidade debaixo d' água.
Paredes enferrujadas, deques completamente arruinados e uma
atmosfera muito parecida com a que qualquer mergulhador experimenta
ao penetrar num naufrágio. O diretor trabalhava como
especialista em efeitos especiais, recurso que a produção
esbanja no filme. O muito bem conceituado ator Gabriel Byrne
deve estar se coçando todo - realmente seu talento
é desperdiçado neste filme, que só não
afunda devido a uma (vasta) audiência igualmente assombrosa,
o que explica seu sucesso nas bilheterias norte-americanas.
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O
filme conta a história de um majestoso transatlântico
italiano, o Antonia Graza, construído para ser o mais
rápido, o maior e o mais luxuoso de sua época
(a "arte" imita a "arte" - quem não
se lembra do Titanic, de James Cameron?).
Durante a viagem, um plano diabólico é colocado
em marcha, causando a morte de todos os passageiros, sua tripulação
e não restando ninguém a bordo.
Cinqüenta anos mais tarde, uma equipe de salvatagem -
os mocinhos do filme - encontram a embarcação
que, segundo a lenda, tornou-se um navio-fantasma (veja a
lenda do Marie
Celeste), desaparecido e supostamente afundado. Ao abordarem
a embarcação, mal sabem que seus problemas estão
apenas começando.
Encare essa no espírito que a obra merece: deixe o
cérebro em casa, dentro de um aquário ou na
geladeira, e assista ao filme com sua alma de mergulhador
- é diversão garantida.
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