Naufrágios
famosos
O
mistério do Marie Celeste
Fato
e ficcão envolvem uma lenda.
Por:
Mathias
Carvalho
Para
quem nunca ouviu falar do Marie Celeste, trata-se de
um bergantin do século dezenove, encontrado á
deriva perto da costa de Portugal, em 1872. Sem encontrar sinais
de violência ou qualquer outra explicação
plausível, o Dei Gratia - por pura sorte - encontrou
a embarcação mas não sua tripulação,
que havia desaparecido.
A embarcação estava em boas condições
de navegação, a não ser por certas áreas
alagadas - cronômetro, sextante, papéis da embarcação
e todos os botes haviam desaparecido, logo a primeira impressão
foi a de que a embarcação havia abandonado o navio
apressadamente, talvez por crerem que a embarcação
estava afundando. O último registro no diário
de bordo relatava uma parada na ilha de Sta. Maria, nos Açores,
em 25 de novembro.
| FATO
E FICÇÃO |
| 1860:
construção da embarcação |
| 1872:
descoberta à deriva |
| 1884:
encalhe e tentativa de fraude |
| 1884:
Conan Doyle escreve seu conto |
| 2001:
descoberta do naufrágio |
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Oliver
Deveau, imediato do Dei gratia, encontrou uma bomba avariada
e uma grande quantidade de água nos deques. A
embarcação havia sido abandonada, provavelmente,
havia já alguns dias e na região houve tempo ruim,
o que explica as condições encontradas: desordem
geral, utensílios espalhados pelos compartimentos, beliches,
mantimentos, utensílios e vestes encharcados - sinais
de que houve um abandono rápido em que a tripulação
carregou consigo somente o extritamente necessário.
Até
hoje se especula a respeito das reais razões para o acontecido,
mas nenhuma resposta certa pode ser determinada, o que abre
portas para a imaginação e especulação,
tornando o Marie Celeste uma lenda do mar.
A descoberta
Em
2001, a National Underwater & Marine Agency - NUMA - em expedição
liderada por seu presidente Clive Cussler, descobriram os restos
do Marie Celeste, no local de destino de sua última viagem,
após o famoso desaparecimento de sua tripulação
na costa dos Açores, anos antes. O naufrágio foi
encontrado nos arrecifes Rochelais, ao largo da costa do Haiti.
O time de exploradores relata que os destroços estão
cobertos por corais, o que dificulta sua recuperação.
"Após seu abandono, o bergantin passou pelas mão
de diversos donos, até sua última viagem, quando
o capitão tentou afundá-lo propositadamente, mas
apenas conseguiu encalhá-la nos corais", relata John
Davis, membro da equipe. Fraude com a seguradora foi especulada
como razão para este ato.
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Apesar
de ter sido exigida compensação pelo "acidente",
inspetores da seguradora verificaram que a carga descrita não
era a que havia nos destroços, de modo que a tripulação
foi condenada por tentativa de fraude. A embarcação
foi abandonada, sem que se registrasse sua localização,
desconhecida desde então.
Em seu novo livro, "THE SEA HUNTERS II" - a segunda
parte de uma coletânea de relatos de expedições
a naufrágios - Cussler dedica dois capítulos sobre
a expedição ao naufrágio.
Ficção
vs. realidade
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O
Livro: Na época, a já famosa lenda do Marie
Celeste inspirou um dos maiores escritores de sua época,
Arthur Conan Doyle - criador de Sherlock holmes, a escrever
um conto especulando sobre o destino de um navio abandonado
(The Captain of the Pole Star - clique para ler o conto na íntegra:
parte 1 ; parte 2). Doyle pagou pelos direitos autorais da história
o equivalente a, na época, um ano de seu aluguel - o
investimento provou ser rentável, já que o conto
foi seu primeiro sucesso literário.
De fato, foi tamanho o sucesso da publicação,
que o relato - uma ficção do começo ao
fim, baseado em fatos reais - foi confundido com a verdadeira
história do naufrágio, dado o realismo com que
o autor descreve o evento. Foi o início de uma carreira
de sucesso como escritor.
O filme: Os estúdios da inglesa Hammer, famosos
por suas produções de mistério, cults do
cinema preto-e-branco, tais como Sherlock Holmes, a Múmia,
entre outros, resolveu investir pesado na história, esperando
alcançar o mesmo nível de sucesso obtido com a
obra literária.
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O
estúdio lançou um filme baseado na lenda: O
Mistério do Marie Celeste (Phantom Ship) 1935 - com
Bela Lugosi, mais conhecido por interpretar Drácula nas
telas de cinema. Numa produção cara, com resultados
medíocres, Lugosi interpreta um marujo que assassina
a tripulação, antes de abandonar o navio.
Filmografia
Diretor:
Denison Clift.
Produtor: H. Fraser Passmore.
Script: Charles Larkworthy. (baseado num texto de Denison Clift)
Com: Bela Lugosi, Shirley Grey, Arthur Margaretson, Edmund Willard.
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