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Naufrágios famosos

Ilustre desconhecido

Nome comum nas rodas sobre mergulho em naufrágio, mas poucos realmente conhecem os detalhes do naufrágio do Pingüino.

Por: Glória Tega
Edição: Mathias Carvalho

Croqui do Naufrágio
Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Em Ilha Grande, o significado da palavra ilha não é apenas uma porção de terra cercada de água por todos os lados. Ela também é cercada por naufrágio de navios, veleiros, vapores e até um helicóptero.

O Naufrágio mais famoso da Ilha é o do cargueiro panamenho Pingüino. São cerca de 300 mergulhadores que, todos os finais- de- semana, fascinam-se com seus 66 metros de destroços. Tal assiduidade faz o naufrágio do Pingüino ser um dos mais visitados do Brasil. Difícil é encontrar mergulhador que nunca tenha descido até ele. Também não é fácil encontrar quem conheça a história do cargueiro. Não que esta seja totalmente clara. O mistério que parece rondar seus destroços está presente também no itinerário e no motivo de sua última viagem. O que se sabe é que...


A história

Superestrutura
O cargueiro panamenho Pingüino partiu do Caribe com destino a Buenos Aires, na Argentina. Não se sabe o dia de sua partida; assim como a data em que ele fez uma escala em Fortaleza, no Ceará, onde foi carregado com dezoito toneladas de cera de carnaúba, castanha de caju, sisal e café.

Com dezesseis tripulantes a bordo, o Pingüino começou a pegar fogo por volta das cinco horas da manhã do dia vinte e quatro de junho de 1967 quando estava próximo ao litoral carioca. O motivo da explosão teria sido um curto-circuito na casa de máquinas. A tripulação tentou apagar o incêndio, mas quando o fogo fugiu do controle a decisão foi emitir um pedido de socorro.

Esse S.O.S foi recebido pelo Primeiro Distrito Naval do Rio de Janeiro por volta das dez horas da manhã. Imediatamente foi mandado para o local do incêndio o rebocador Tritão, da Marinha, e algumas lanchas para tentarem apagar o fogo ou rebocar o Pingüino. Chegando ao local, o incêndio estava muito intenso e o barco já estava adernando. Então, tomou-se a decisão de rebocar o cargueiro para o porto mais próximo, que, no caso, era Angra dos Reis.

Mas a Capitania dos Portos não permitiu que o navio fosse atracado, porque traria risco às outras embarcações do local. A solução encontrada foi rebocar o Pingüino até a Enseada do Sitio Forte, na Baía da Ilha Grande, para tentar novamente controlar as chamas.

Ponte de comando
Chegando na baía, as chamas haviam tomado grandes proporções pois a carga do navio era altamente inflamável. Assim, uma série de explosões aconteceu, agravando a situação.

Todos os quinze tripulantes e o capitão, o argentino Roberto Oscar Macaspino, se salvaram. Eles foram a botes a remo até a praia do Sítio Forte, onde ficaram por pouco tempo até serem levados pela Marinha
.

A embarcação foi ficando cada vez mais inclinada em conseqüência do volume de água que entrava e da carga que se queimava de forma desigual. Depois de várias explosões, na manhã da segunda-feira, dia 26, às cinco horas, o Pingüino foi a pique.

A história do navio não terminou no fundo do mar. A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro instaurou um inquérito. A suspeita era de que o navio fazia contrabando em virtude de estar navegando muito próximo da costa carioca e daquela rota não estar prevista no itinerário. Mas o inquérito foi arquivado e nada ficou provado.


Os ilhéus e o naufrágio

Ainda é possível encontrar alguns habitantes da Ilha Grande que presenciaram o naufrágio do Pingüino:

A placa roubada - desrespeito
Olavo Júlio Maia e Brasilídia de Jesus Maia - São casados e moram na Ilha Grande desde a infância. Os dois têm mais de sessenta anos e presenciaram o afundamento do cargueiro. Como o navio afundou há quase trinta e sete anos, Olavo e Brasilídia guardam as lembranças exatas do acontecimento. Além disso, cada um tem uma visão particular e diferentes sentimentos experimentados acerca do naufrágio do Pingüino. Brasilídia lembra exatamente do dia do afundamento: "Aquele fogo acendeu bem forte e desceu. Afundou de popa, o último lugar que estava queimando desceu". Olavo conta que se comoveu quando viu o cargueiro descendo: "Antes de afundar o navio deu aqueles três gemidos que cortava o coração do pessoal aqui em terra".

Sérgio Lopes - Esse pescador tinha apenas doze anos em 1967. Por este motivo, suas lembranças guardam detalhes diferentes. Como ainda era criança, Sérgio viu as chamas que devoravam o Pingüino como se fossem apenas uma fogueira de São João; já que quando o navio estava pegando fogo na Enseada o Sítio forte, os habitantes locais estavam fazendo uma festa junina na praia. "Havia uma fogueira na praia e outra, bem maior e mais bonita, no mar, que era o navio pegando fogo", conta o pescador.


Após o naufrágio

Futuro incerto
O que veio logo depois foi a pirataria. Os saqueadores agiram rápido. Em pouco tempo, várias peças foram roubadas: âncoras, correntes, vigias, um dos hélices, enfim, pouco restou. Até explosões foram feitas para facilitar o roubo. Ironicamente, até mesmo a placa na qual estava inscrito o número da lei de preservação ambiental, pregada em seu casco em 1999, foi roubada. A pirataria que se praticou em relação aos restos do cargueiro, e se costuma praticar nas embarcações que naufragam, de um modo geral, é comum no Brasil. Infelizmente, poucas pessoas têm a consciência de que o naufrágios são um bem comum, tratam-se de sítios arqueológicos. "São testemunhos materiais únicos de acidentes com embarcações. Pertencem à comunidade, à população e à nação, não sendo reconhecido o direito de alguém os destruir ou explorar em proveito próprio "*.

Apesar da retirada das peças e das explosões, o casco da embarcação ainda está preservado. Ele se encontra tombado de boreste (à direita), ligeiramente atolado, coberto por algas, de porões vazios e com o que restou de seus mastros, cabeços e molinetes. Em dias excepcionais é possível enxergar o Pingüino da própria superfície. Sua parte mais rasa está há 8 metros de profundidade e a mais funda a 18. Por tudo isso trata-se de um dos naufrágios mais visitados do Brasil.


O futuro

A cada ano o interior do Pingüino vem se deteriorando. Isso ocorre devida a presença constante de mergulhadores com equipamento scuba que visitam o interior do navio. A partir do momento que as bolhas desses mergulhadores são soltas dentro da embarcação, elas formam um teto de ar embaixo d'água. Assim, o gás carbônico que é solto na água reagi com a mesma acelerando o processo de oxidação da estrutura de aço do navio. Visitá-lo por fora é bastante interessante. Mas entrar no cargueiro já representa alguns riscos. E é essa freqüência de mergulhadores que antecipa processo de deterioração do naufrágio do Pingüino.

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:*(Arqueologia Até Debaixo D'água- Gilson Rambelli- SP 2002).
Fotos: Guia dos Naufrágios da Baía da Ilha Grande
Fontes consultadas: A Tribuna de Santos; O Estado de São Paulo; Marcelo Di Ferrario;



Serviço:


Mais informações sobre o naufrágio:
www.brasilmergulho.com.br
www.naufragiosdobrasil.com.br

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