Livros
Mestre
dos Mares
Quem
já viu no cinema pode nem fazer idéia que o enredo
foi tirado de dois livros da famosa série de Patrick
O'Brian. Um deles, homônio ao filme, foi lançado
em português.
Por:
Aldo
Monteiro
Edição:
Mathias
Carvalho
Patrick
O'Brian (1914-2000) é um autor muito conhecidos entre
os amadores das guerras napoleônicas. A sua série
Aubrey/Maturin que compreende vinte volumes foi considerada
como uma das melhores evocações da Marinha Britânica
no tempo do almirante Nelson. Trinta anos separam Master and
Commander (1970) do seu último romance Blue at the Mizzen
(2000). A série possui também um guia ilustrado
que especifica explica a vida na Marinha Real naquela época
(Men-of-War, 1974).
O'Brian começou a escrever muito jovem: ele tinha acabado
de completar quinze anos quando publicou Caesar, um conto em
que o principal protagonista é um cruzamento entre um
panda e um leopardo. Pouco depois, publica uma segunda história
fantástica, Hussein, que se passa na Índia.
 |
| O
autor |
A série Aubrey/Mathurin não é o seu primeiro
ensaio de aventura naval: ele já havia escrito dois romances
de exploração marítima, The Golden Ocean
e
The Unknown Shore, desta vez situados em 1740.
Ele
escreveu também várias biografias, dentre as quais
a de Picasso e a de Joseph Banks (explorador naturalista), traduziu
Simone de Beauvoir para o inglês, assim como o primeiro
tomo da biografia do General De Gaulle de Jean Lacouture.
O site de Gibbons Burke ()
dá uma lista completa de links tanto da vida e obra de
Patrick O´Brian quanto da marinha no tmepo de Nelson em
geral. O site oficial de Patrick O´Brian é o do
seu editor. Nele pode-se encontrar resumos de seus livros ().
Promoção
 |
| Jack
sortudo, no fim do mundo |
Mestre,
mas não capitão, o tenente Jack Aubrey, após
dias de inatividade em Minorque, recebe o seu primeiro comando
de navio, o Sofia. Mas uma desventura e uma certa dose de má
vontade por parte das uatoridades do porto lhe fizeram perder
o encontro que teria com o seu predecessor. Quando ele sobe
a bordo, descobre que este, como era seu direito, havia levado
uma parte da tripulação... Encontrar bons homens
para recompô-la não era tarefa fácil. Equipar
o navio menos ainda. Por sorte, ele consegue encontrar um bom
tenente e uma verdadeira raridade: um verdadeiro médico,
Stephen Maturin, que estava morrendo de fome.
Jack
começa a caçar franceses e espanhóis no
Mediterrâneo com um entusiasmo que não é
do gosto de todos. É preciso sacudir e tornar eficaz
uma tripulação sonolenta pela rotina do antigo
capitão e convencer seus subordinados que ele não
é apenas um quase-corsário, motivado apenas pelo
lucro. Rapidamente, a sorte e a eficácia do Sofia, assim
como o número de navios tomados tornam conhecido o seu
comando (ele ainda não tem o direito de ser chamado de
capitão, o que o deixa desesperado) sob o nome de Lucky
Aubrey e criam muitos invejosos. O que não vai facilitar
a vida de Jack Aubrey.
Apaixonante
 |
| Vida
de marinheiro - sofrida |
Esse
romance, como todos os outros da primeira série, pode
ser considerado um romance histórico, mesmo se a maior
parte dos personagens que ele coloca em cena sejam criações
de Patrick O´Brian. Os acontecimentos são descritos
com uma precisão meticulosa, atendo-se tanto à
rotina e às dificuldades do dia-a-dia quanto às
batalhas, mas o estilo é denso e vai direto ao assunto,
de modo que uma grande quantidade de acontecimentos se condensa
em algumas páginas, evitando, assim, que o leitor se
entedie. Fica-se sabendo muito sobre a vida na Marinha Real
nessa época, e isso contribui para tornar os personagens
mais reais, descrevendo suas reações com pequenas
dificuldades do cotidiano. O plano de fundo e o passado dos
personagens bastam para lhes dar profundidade sem atropelar
a história. O entusiasmo e a incompreensão ingênua
de Jack Aubrey, a lealdade de James Dillon, as hesitações
do doutor, valorizam a narrativa, dando nuances diferentes a
cada personagem. Apaixonamo-nos por essa história simples
que não é senão uma pequena parte da História.
Muito específico?
Mas
o realismo do romance pode tornar a leitura difícil.
O acúmulo de termos náuticos, a longa série
de perseguições e batalhas que parecem levar a
lugar nenhum pode cansar o leitor. Entretanto, esses elementos
são indispensáveis e como Stephen Maturin, ficamos
habituados rapidamente aos termos técnicos para vermos
apenas a ação e os personagens. Uma excelente
série de romances históricos (e de aventura) para
descobrir por dentro a Marinha Real do tempo de Nelson.
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